Trump quer petrolíferas a investirem 100 mil milhões de dólares na Venezuela
O Presidente dos EUA procurou convencer cerca de duas dezenas de executivos do setor a voltarem a apostar na indústria petrolífera venezuelana, oferecendo garantias de segurança. Maioria dos CEO não ficou convencida.
- 1
- ...
O Presidente dos EUA, Donald Trump, reuniu-se com cerca de 20 executivos da indústria petrolífera para discutir futuros investimentos na Venezuela, procurando que apliquem 100 mil milhões de dólares para recuperar a capacidade de produção do país sul-americano, dando em troca garantias de segurança para que as empresas possam operar.
Trump disse mesmo que um acordo com as petrolíferas poderia ser alcançado “hoje ou muito em breve” para relançar as operações na Venezuela, selecionando as empresas que teriam licença para explorar as reservas de crude, perante os responsáveis do setor na Casa Branca. Caso contrário, ameaçou Trump, “se não quiserem ir, avisem-me, porque tenho 25 pessoas que não estão aqui hoje que estão dispostas a tomar o vosso lugar”.
Contudo, os executivos não pareceram muito convencidos pela proposta apresentada por Trump, salientando que, embora a intervenção militar da semana passada - que resultou na deposição do presidente Nicolás Maduro - possa representar uma oportunidade investimento, terá de ser feito muito trabalho preparatório antes de poderem avançar no terreno.
Um dos executivos presentes, Darren Woods, o CEO da Exxon Mobil, chegou mesmo a dizer que neste momento não é possível investir na Venezuela. “Há uma série de quadros legais e comerciais que terão de ser estabelecidos para percebermos que tipo de retornos vamos ter nos investimentos”, referiu, citado pela Bloomberg, salientando que a empresa já foi expropriada dos seus bens por duas vezes na Venezuela.
Também Harold Hamm, da Continental Resources, um antigo aliado de Trump, manifestou ceticismo. “Há um investimento enorme que tem de ser feito – todos concordamos com isso e certamente precisamos de tempo para o analisar”, disse, embora tenha confessado o entusiasmo com a perspetiva “exploratória” do projeto.
Outras empresas mostraram mais abertura, como a Repsol, que através do seu CEO, Josu Jon Imaz San Miguel, afirmou que está “preparada para investir mais na Venezuela hoje”, desde que "haja um quadro legal e comercial que o permita".
Trump insistiu nas garantias de segurança, mas sem adiantar como as vai providenciar, prevendo também que as empresas vão ter um retorno rápido do investimento em novo equipamento. “Estamos a lidar com o país, por isso temos o poder para fazer o acordo. E têm segurança total”, garantiu. “Estão a lidar connosco diretamente, não estão a lidar com a Venezuela e não queremos que lidem com a Venezuela.
O Presidente norte-americano garantiu também que os EUA e a Venezuela “estão a trabalhar proximamente” para reconstruir a infraestrutura de petróleo e gás do país, depois de ter afirmado que irá receber até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano através de um acordo. A PDVSA, a petrolífera estatal venezuelana, já confirmou que decorrem negociações nesse sentido.
Segundo a Casa Branca, as empresas representadas foram a Chevron, ExxonMobil, ConocoPhillips, Continental Halliburton, HKN, Valero, Marathon, Shell, Trafigura, Vitol Americas, Repsol, Eni, Aspect Holdings, Tallgrass, Raisa Energy e Hilcorp.
Mais lidas