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Seguro pede "compromisso com a tolerância" para que o país seja "chão comum" para todos

Nas celebrações do 10 de junho, o Presidente da República retomou o mote de campanha para pedir que se ultrapasse o imediatismo eleitoral e que haja "a coragem prática de fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo".

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António José Seguro fez esta quarta-feira o seu primeiro discurso de 10 de junho enquanto Presidente da República, pegando no mote que usou na campanha eleitoral, o de unir Portugal. Em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, Açores, Seguro pediu ao Governo que a política passe por cima dos populismos para unir Portugal em "chão comum". No seu entender, não deve ser feito através de uma "unanimidade artificial indesejável", mas antes no reconhecimento de "que a pátria é um chão comum e que nele há espaço e lugar para todos".

O território político “sendo um espaço de confronto, deve ser também um lugar de compromisso, de respeito pelas opiniões divergentes. É um tempo que nos pede coragem de fazer escolhas difíceis, sem ceder ao populismo”, sublinhou o chefe de Estado.

Ao Governo pediu "a verdade mesmo quando é desconfortável" e que defenda "o interesse de longo prazo, mesmo quando o ciclo eleitoral empurra para o curto prazo". "Ao contrário da ladainha habitual", acrescenta, "Portugal não pode cair no fatalismo, nem ficar à espera de milagres, o que precisamos é de decisões que dependam inteiramente de nós".

É um tempo que nos pede coragem de fazer escolhas difíceis, sem ceder ao populismo. António José Seguro, Presidente da República

Por ocasião do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, não faltaram citações de poetas e escritores portugueses e alusões à unidade de Portugal através dos Açores e da Madeira. António José Seguro defende que a diversidade é uma vantagem e que "Portugal é maior quando é plural".

O chefe de Estado - que esteve já, no âmbito das comemorações, no Luxemburgo, nos Açores e segue esta quinta-feira para a Madeira - acredita que "um país capaz de gerir a sua própria diversidade interna tem mais capacidade para enfrentar os desafios que vêm de fora".

Açores obrigam Portugal "a assumir especial responsabilidade"

Considerando que os 50 anos de autonomia das duas regiões fortalecem Portugal, reconheceu também que este período revela o que ficou por fazer. É, por isso, que nestes "tempos de trincheiras" alude ao que chama de "palavras do meio, mais de tolerância do que de exclusão, mais de disponibilidade do que de afastamento", que permitam a "criação de pontes entre as pessoas, entre os portugueses, entre as instituições e as ideias". Servem, assim, de "antídoto para o vírus da polarização, que tende a substituir a argumentação, o debate e a negociação".

A discursar no "coração do Atlântico", o Presidente da República abordou o uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos, dizendo que os Açores são um lugar que obriga o país "a assumir especiais responsabilidades no quadro da afirmação plena da soberania, dos interesses e do futuro estratégico".

Para o chefe de Estado, a autonomia estratégica europeia não contradiz a defesa transatlântica, mas antes complementa e é também por isso que "o Atlântico faz parte da autonomia estratégica europeia", que "não significa isolamento", mas antes "liberdade de decisão e responsabilidade, aperfeiçoando, atualizando e reforçando cooperações bilaterais com os nossos aliados".

Antes de António José Seguro, o presidente da Comissão Organizadora do Dia de Portugal, Miguel Monjardino, também discursou, dizendo que "coragem é liberdade e liberdade é coragem". O professor e analista político alertou ainda que .

(Notícia atualizada às 13:10 horas)

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