Sindicato dos oficiais da PSP considera “atípica” e “imprevisível” escolha de Luís Neves para MAI
Recordando que o Ministério da Administração Interna é "particularmente exigente" e costuma ser apelidado de "um verdadeiro triturador de ministros", o presidente do SNOP sustentou que o ministro desta pasta devia ter uma visão mais abrangente e força política do que Luís Neves.
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O Sindicato Nacional de Oficiais de Polícia (SNOP) considerou hoje atípica e imprevisível a escolha de Luís Neves para ministro da Administração Interna, sublinhando que o cargo devia ser ocupado por alguém com mais força política e visão abrangente.
"A nomeação é completamente atípica, não me recordo de ver um diretor de uma polícia ser nomeado para forças governativas", disse à Lusa o presidente do SNOP, Bruno Pereira, sobre a escolha do diretor da PJ para ministro da Administração Interna, precisando que "a decisão foi completamente imprevisível".
Recordando que o Ministério da Administração Interna (MAI) é "particularmente exigente" e costuma ser apelidado de "um verdadeiro triturador de ministros", Bruno Pereira sustentou que o ministro da Administração Interna devia ter uma visão mais abrangente e força política do que Luís Neves.
"É verdade que tem uma experiência muito grande no sistema de segurança interna, em particular numa área muito concreta do sistema que é a investigação criminal, que é apenas uma parte de muitas e nesse aspeto não traz muito de novo em termos de conhecimento", precisou, esclarecendo que "pelo menos tem mais conhecimento do que a antiga ministra ou os anteriores".
Segundo o presidente do sindicato que representa os oficiais da Polícia de Segurança Pública, Luís Neves terá "algum caminho facilitado" uma vez que "conhece o sistema do ponto de vista geral, conhece bem todos os interlocutores, os contactos do ponto de vista doméstico e internacional e quais as maiores necessidades do sistema de segurança".
No entanto, lamentou que todo este conhecimento e capacidade possa "eventualmente ser deitada por terra caso não tenha a força política devida", salientando que "é importante também que Luís Neves passe a ter uma visão mais ampliada do que aquela que foi tendo enquanto diretor da PJ".
O presidente do SNOP disse também que Luís Neves terá de mostrar se vai ter enquanto ministro um posicionamento diferente daquele que assumiu enquanto diretor da PJ.
"Veremos agora qual será a sua posição do ponto de vista reformista. Luís Neves tornou a PJ uma das profissões mais atrativas da administração pública, conseguiu assegurar mapas plurianuais de admissão, conseguiu a atribuição de um suplemento de missão que ainda hoje não foi conseguido para as outras polícias", disse.
"Espero que Luís Neves esteja à altura de um desafio, que é um desafio que nesta altura é particularmente exigente e que mostra bem o porquê de tantos outros não terem aceite ou não terem aparentemente aceitado o convite para ser ministro da Administração Interna", afirmou ainda.
O Presidente da República aceitou a proposta do primeiro-ministro de nomear Luís Neves para as funções de ministro da Administração Interna, em substituição de Maria Lúcia Amaral, que se demitiu depois da onda de críticas à forma como atuou e geriu a resposta à depressão Kristin que assolou o país no final de janeiro.
Luís Neves toma posse na próxima segunda-feira às10:00 no Palácio de Belém, em Lisboa.
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