Europeias Secretária de Estado da Inclusão vota pela primeira vez num boletim em braille

Secretária de Estado da Inclusão vota pela primeira vez num boletim em braille

Os cidadãos invisuais estão a votar hoje pela primeira vez de forma autónoma, uma novidade que foi testada pela secretária de Estado da Inclusão, Ana Sofia Antunes, que exerceu o seu direito num boletim em braille.
Secretária de Estado da Inclusão vota pela primeira vez num boletim em braille
Nuno Fox/Lusa
Lusa 26 de maio de 2019 às 16:20

A governante, que é invisual, exerceu o seu direito de voto ao final da manhã, na sede da junta de freguesia de Vila Franca de Xira, no distrito de Lisboa, onde se fez acompanhar pelo marido e pela deputada socialista Maria da Luz Rosinha.

 

Pelas 12:00, foi disponibilizada a Ana Sofia Antunes, pela mesa, um molde em braille, que foi encaixado no boletim de voto.

 

No final do ato eleitoral, o molde é retirado e o boletim é introduzido na urna, misturando-se com os restantes.

 

"O voto é absolutamente igual aos outros. Não se pode distinguir depois na urna qual é o nosso voto. É um grande passo em nome da autodeterminação das pessoas com deficiência e do seu exercício político", afirmou a governante aos jornalistas.

 

Ana Sofia Antunes sublinhou que esta ferramenta, que permite a um cidadão invisual votar de forma autónoma, será "muito importante" para incentivar outros com as mesmas limitações a sair de casa para votar.

 

"Queria dizer que as pessoas que não veem e que, por alguma razão, perderam a vontade de vir [votar], que aproveitem esta oportunidade e venham exercer o seu direito de cidadania. Podem sentir-se seguros", apelou.

 

Questionada sobre as críticas do candidato social-democrata Paulo Rangel, que alertou hoje para as condições de acesso a algumas secções de voto por parte de pessoas com mobilidade reduzida, Ana Sofia Antunes ressalvou que essas questões são responsabilidade das Câmaras Municipais e não do Governo.

 

"Fizemos, no devido tempo, todas as ações de sensibilização, [para] que as câmaras municipais tivessem isso em atenção. Essa não é uma competência do Governo. Quem está no terreno é que sabe onde se costuma votar e quais são as alternativas que tem ao seu dispor", apontou.

 

Nesse sentido, Ana Sofia Antunes apontou o voto eletrónico, outra das novidades introduzidas nestas eleições (apenas no distrito de Évora), como uma das ferramentas que poderão vir a minimizar essas dificuldades de acesso.

 

"O voto eletrónico está a ser experimentado no distrito de Évora e esperamos que seja uma realidade em todo o país muito em breve. Será muito importante para pessoas que não saibam braille ou que tenham algum condicionamento", concluiu.

 

Cerca de 10,7 milhões de eleitores portugueses são hoje chamados a eleger os 21 deputados portugueses ao Parlamento Europeu, numas eleições a que concorrem 17 listas.

 

Votam para as eleições ao Parlamento Europeu cerca de 400 milhões de cidadãos dos 28 países da União Europeia, que elegem, no total, 751 deputados.




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