Lagarde pede clareza nas relações comerciais com EUA. Receia "perturbações" à economia europeia
Christine Lagarde diz que é imperativo que a Europa saiba com que linhas se cose nas relações comerciais com os EUA. Caso contrário, o equilíbrio será abalado, o que irá "certamente provocar perturbações na atividade empresarial".
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A presidente do Banco Central Europeu teme novos obstáculos à economia europeia, depois da decisão do Supremo Tribunal norte-americano. "Temos de conhecer o código da estrada antes de entrarmos no carro. É o mesmo com o comércio", disse, numa entrevista à CBS, este domingo. Para Christine Lagarde é "extremamente importante" ter clareza sobre o futuro da relação comercial entre a União Europeia e os Estados Unidos.
Os comentários de Lagarde estão alinhados com o que disse este domingo a Comissão Europeia, em comunicado: "Enquanto maior parceiro comercial dos Estados Unidos, a UE espera que os EUA honrem os compromissos assumidos na Declaração Conjunta - tal como a UE cumpre os seus". A Comissão exigiu garantias de que o acordo comercial alcançado em julho do ano passado que fixou as tarifas de 15% para os produtos importados da União Europeia seja cumprido e pediu "total clareza" a Washington sobre o que pretende fazer depois da decisão do Supremo Tribunal norte-americano. "Um acordo é um acordo", afirmou.
Em reação à decisão do tribunal, que considerou grande parte das tarifas comerciais ilegais, Trump anunciou este sábado que a nova tarifa alfandegária global vai aumentar de 10% para 15% "com efeito imediato". O Parlamento Europeu reúne-se na segunda-feira numa sessão extraordinária para avaliar o impacto da decisão do Supremo Tribunal dos Estados Unidos, com o responsável pelo comércio a indicar que irá propor o congelamento da ratificação do acordo comercial, à luz do “caos” do outro lado do Atlântico.
A presidente do BCE considera que o novo cenário ameaça o equilíbrio negociado entre as duas potências. "Se isso abalar todo o equilíbrio a que as pessoas no comércio se tinham habituado - porque continuaram a negociar após as decisões de abril e o acordo comercial de julho entre os EUA e a Europa - mas voltar a mexer nesse quadro vai certamente provocar perturbações na atividade empresarial”, afirmou Lagarde.
Sobre a sua possível saída do BCE antes do final do final do mandato - de modo a evitar que o novo Presidente francês tenha influência na escolha da próxima liderança do BCE -, numa notícia avançada pelo Financial Times, Lagarde voltou a sublinhar que o "cenário de base" é ir até ao fim.
“Estou totalmente empenhada numa missão… Alcançámos muito”, afirmou, referindo-se à meta da inflação abaixo de 2%, que conseguiu atingir, bem como o crescimento da Zona Euro. “Precisamos de consolidar tudo isso. O meu cenário base é que ficarei até ao fim do meu mandato. Os eleitores, em qualquer país do mundo, fazem as suas escolhas, e essas escolhas têm de ser respeitadas”, disse.
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