Montenegro reentra na campanha de Marques Mendes. Seguro pede concentração de votos
Acompanhe o 11.º dia de campanha das eleições presidenciais. Eleitores vão a votos no próximo domingo, 18 de janeiro.
- 6
- ...
Mendes acusa Cotrim de "exibicionismo" e responde com nova presença de Montenegro hoje
O candidato presidencial Luís Marques Mendes acusou esta quarta-feira Cotrim Figueiredo de fazer "número político" e de exibicionismo com nova carta a Luís Montenegro, respondendo que o líder do PSD estará hoje novamente na sua campanha.
À chegada a Arcos de Valdevez (distrito de Viana do Castelo), o candidato apoiado por PSD e CDS-PP foi questionado pelos jornalistas sobre o apelo público lançado pelo candidato apoiado pela IL para que Luís Montenegro recomende ao PSD o voto na sua candidatura para evitar que André Ventura ou António José Seguro cheguem à Presidência da República.
"Acho que isto é um número político, é mais um número. Não é muito para levar a sério, portanto, não levo a sério. É um número político, é um exibicionismo, é um espetáculo", afirmou Marques Mendes, sem mais comentários.
O candidato acrescentou ter uma novidade para transmitir à comunicação social: "É que Luís Montenegro vai estar hoje na minha campanha. Luís Montenegro, às 18:00 horas, vai estar comigo a apoiar-me, como é normal e habitual e como já estava previsto, em Famalicão, às seis da tarde. Isso é que é importante", salientou.
Esta será a segunda participação do líder do PSD e primeiro-ministro na campanha de Mendes, depois de ter discursado no primeiro dia de campanha oficial, na Batalha.
Gouveia e Melo manifesta-se angustiado com riscos de escolha de um mau Presidente
O candidato presidencial Gouveia e Melo manifestou-se esta quarta-feira angustiado com a escolha do próximo chefe de Estado, considerou Cotrim Figueiredo subserviente ao Governo e defendeu que votar André Ventura, "que não quer ser Presidente", é um desperdício.
Gouveia e Melo assumiu estas posições em declarações aos jornalistas, após ter visitado hoje de manhã o mercado de Alvalade, em Lisboa, que estava quase sem clientes.
O ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a desvalorizar as sondagens que o colocam fora de uma segunda volta das eleições presidenciais, mas dramatizou quando deixou a seguinte mensagem: "Estou verdadeiramente angustiado com o que se passa, porque acho que podemos correr o risco de escolher um mau Presidente da República".
"E é isso que eu ponho na consciência dos portugueses. Quando falam em voto útil, por favor, não pensem em partidos", apelou.
Deixou a seguir uma farpa que, aparentemente, foi dirigida ao seu adversário António José Seguro: "As pessoas não devem confundir pose com a substância que é necessária na nova Presidência da República".
Interrogado sobre a possibilidade de o eurodeputado liberal passar à segunda volta das eleições presidenciais, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada voltou a atacar o neoliberalismo e defendeu uma economia com consciência social.
Criticou, depois, a iniciativa do seu adversário Cotrim Figueiredo de escrever ao presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro. Viu mesmo nessa atitude do eurodeputado liberal um dos riscos de Portugal ter um chefe de Estado com esse perfil.
"Não vou escrever cartas a primeiros-ministros para dizer que estou alinhado, porque isso mostra uma subserviência que não é boa na Presidência da República. O Presidente da República tem de ser verdadeiramente independente. Um Presidente não começa a dizer ao primeiro-ministro: eu vou ser subserviente", acentuou.
Seguro pede concentração de votos para garantir "um democrata" na 2.ª volta
António José Seguro pediu esta quarta-feira aos portugueses que "evitem um pesadelo" nas eleições presidenciais de domingo e apelou à concentração de votos na sua candidatura para garantir que um democrata passe à segunda volta.
"Aquilo que eu peço a cada portuguesa e a cada português é que evitem um pesadelo. E, para evitarem um pesadelo na noite de dia 18 para dia 19, e dormirem bem, é garantir que um democrata possa passar à segunda volta, que é o meu caso", apelou o candidato presidencial apoiado pelo PS no arranque do dia de campanha durante uma visita ao mercado de Vila Franca de Xira, distrito de Lisboa.
Um dia depois da sondagem que o coloca em segundo lugar, muito próximo do candidato apoiado pelo Chega, o pedido de Seguro foi para que os portugueses "pensem bem", porque defendeu que só um voto em si é que pode "eleger um Presidente democrata, moderado, que quer ser o Presidente de todos os portugueses e que é um defensor da Constituição da República".
"A minha responsabilidade é de apelar a cada portuguesa e a cada português para concentrar os votos na minha candidatura para que a democracia passe à segunda volta", referiu.
Cotrim pede a Montenegro voto do PSD para evitar ter um PR do PS ou Chega
O candidato presidencial Cotrim Figueiredo pediu esta quarta-feira a Luís Montenegro que recomende ao PSD o voto na sua candidatura para evitar que André Ventura ou António José Seguro cheguem à Presidência da República.
"Com sentido de responsabilidade, e sem querer menorizar a candidatura apoiada pelo partido liderado por vossa excelência, assim como pelo CDS-PP, venho hoje apelar ao voto do PSD na minha candidatura à Presidência da República", refere Cotrim Figueiredo num apelo público a Montenegro, presidente do PSD e primeiro-ministro.
O também eurodeputado exorta Montenegro a apostar na sua candidatura por estar certo de que, tal como ele, não deseja ver o candidato apoiado pelo PS, nem o candidato apoiado pelo Chega, líder do partido, no Palácio de Belém - residência oficial do Presidente da República.
O antigo líder da IL considerou que a sua candidatura é, hoje, a única capaz de impedir esse cenário.
"Como vossa excelência afirmou na passada semana: "Não podemos cair na armadilha de dispersar votos e ficarmos amarrados a não termos escolhas boas na segunda volta". Não poderia estar mais de acordo consigo. Está na hora de tomar a decisão consequente com as suas próprias palavras", insistiu.
Cotrim Figueiredo recordou que nas eleições autárquicas de outubro não hesitou em apoiar as candidaturas de Pedro Duarte, no Porto, e de Carlos Moedas, em Lisboa.
"Fi-lo por acreditar que era o melhor para os dois municípios em apreço e para as respetivas populações. Fi-lo, portanto, por considerar tratar-se do melhor para Portugal. Confiei no PSD", lembrou.
Estudo do IPAM aponta Marques Mendes como candidato com menor tração digital
Marques Mendes é o candidato presidencial com menor tração digital, Ventura lidera em termos de escala, Seguro tem presença digital regular e Cotrim de Figueiredo combina exposição e envolvimento, segundo um estudo de dois professores do IPAM.
Os professores do IPAM Luís Bettencourt Moniz e João Andrade Costa analisaram a forma como os candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro comunicaram nas principais redes sociais ao longo de dezembro.
A análise incidiu sobre 2.104 publicações nas redes sociais Facebook, Instagram e TikTok por oito candidatos: André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, Cotrim Figueiredo, Gouveia e Melo, Jorge Pinto e Luís Marques Mendes.
De acordo com as conclusões, há "uma clivagem clara entre candidatos que privilegiam escala e amplificação e aqueles que apostam na intensidade da relação com comunidades mais pequenas".
Os dados mostram "que volumes elevados de interações não correspondem, necessariamente, a maior envolvimento relativo, nem a uma ligação mais sólida com os seguidores".
Segundo o estudo, "Luís Marques Mendes surge como o candidato com menor tração digital", uma vez que, apesar de 226 publicações, "o 'engagement' [envolvimento] médio não ultrapassa os 4,9%, com cerca de 141 mil interações, o que indica dificuldades na mobilização da audiência e na criação de uma relação digital significativa.
André Ventura "lidera de forma destacada em termos de escala". As 372 publicações analisadas "geraram mais de 5,5 milhões de interações, o valor absoluto mais elevado do estudo". Contudo, "o 'engagement' médio fica-se pelos 1,9%, o mais baixo entre os candidatos, revelando uma relação menos intensa com audiências amplas, heterogéneas e fortemente polarizadas". Além disso, "o estudo aponta para uma mobilização sustentada no conflito, eficaz para amplificação, mas menos consistente na construção de envolvimento".
Por sua vez, António José Seguro "apresenta uma presença digital regular e pouco polarizadora". Registando 354 publicações, tem um "'engagement' médio de 4,8% e cerca de 482 mil interações" e a sua estratégia "assenta numa narrativa de estabilidade e confiança, sem picos de viralidade, mas com envolvimento consistente ao longo do mês".
João Cotrim de Figueiredo "consegue combinar exposição e envolvimento", com 215 publicações, regista um 'engagement' médio de 11,6% e ultrapassa 1,2 milhões de interações, "posicionando-se como um dos candidatos com melhor equilíbrio entre escala e intensidade da relação com o público", segundo a análise. "A sua comunicação beneficia da leitura mediática da campanha e da aposta na competição eleitoral, sem depender exclusivamente da polarização", lê-se no comunicado.
Últimos eventos
Últimos eventosMais lidas