Jornal Negócios

Prémios Saúde Sustentável: Projetos que mudam a vida das pessoas
A gamificação na educação para a saúde, a reabilitação respiratória por videoconsulta, o rastreamento e a reciclagem das roupas hospitalares são mais exemplos de inovação no Prémio Saúde Sustentável e que marcam a saúde em Portugal. Há algum tempo, surgiu na economia e na gestão o conceito de “nudge”, que significa “empurrão”, e que defendia que uma pequena alteração de contexto seria suficiente para influenciar uma escolha. No caso dos cinco projetos candidatos ao Prémio Saúde Sustentável, significa que pequenas alterações podem mudar a qualidade de vida dos stakeholders da saúde.
Filipe S. Fernandes 07 de Outubro de 2021 às 15:00
Projeto 10. Reabilitação respiratória à distância

Categoria - Integração de cuidados
Projeto - Reabilitação Respiratória Pediátrica em Contexto de Pandemia
Entidade - Unidade de Saúde da Ilha de São Miguel

A Equipa de Enfermagem de Reabilitação da Unidade de Saúde da ilha de São Miguel existe deste 2010, e trabalhava exclusivamente com utentes idosos e/ou com grau de dependência total ou severa no âmbito da reabilitação respiratória e deglutição comprometida no domicílio.

Em maio de 2020, por causa da pandemia de covid-19, mudou o foco para dar resposta às necessidades de reabilitação respiratórias das crianças com patologia respiratória, que ficaram privadas destes cuidados após encerramento do serviço de cinesiterapia respiratória do Hospital de Divino Espírito Santo.

A equipa passou a assegurar os cuidados a 24 crianças dispersas em toda a ilha de São Miguel apenas com duas enfermeiras especialistas. “Eram feitos cerca de 100 km, diariamente, para chegarmos a quem precisava de nós”, confessa Maria Elisabete Lima, coordenadora da Equipa de Enfermagem de Reabilitação da USISM.

Com o agravamento da pandemia em São Miguel, em novembro de 2020, a reabilitação respiratória domiciliária passou a destinar-se exclusivamente às crianças com risco elevado de agudização da patologia respiratória e consequente internamento hospitalar.

Nessa altura, iniciou-se a telecinesiterapia respiratória que consiste na realização dos exercícios respiratórios por videoconsulta, com as crianças que se encontravam estáveis da patologia respiratória e que dominavam os exercícios respiratórios, mas que não poderiam suspender a reabilitação respiratória.



Projeto 9. A gamificação da educação em saúde

Categoria - Promoção da Saúde e Prevenção da Doença
Projeto - Spot Saúde Powered by CUF
Entidade - CUF + Spot Games

O projeto teve início em outubro de 2020 e foi motivado pelos desafios provocados pela pandemia de covid-19 na saúde e na educação e que juntou a CUF e a Spot Games. O objetivo era o desenvolvimento de uma ferramenta digital gamificada para promoção da literacia em saúde, concebida para a sala de aula, escalável e de fácil absorção pelas escolas.

A construção do jogo foi feita em parceria por uma equipa multidisciplinar de médicos, técnicos, criativos e programadores, a que se seguiu uma parceria com escolas públicas que implementaram a ferramenta.

Os conteúdos do Spot Saúde articulavam-se com o currículo de saúde da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento e pretendiam facilitar a compreensão da doença covid-19 e sensibilizar toda a comunidade escolar a adotar boas práticas de prevenção da doença e rotinas saudáveis, em períodos de emergência.

O projeto contou com a participação de 1.175 alunos dos 2.º e 3.º CEB, de escolas públicas espalhadas um pouco por todo o país, que submeteram na totalidade 6.703 desafios de cidadania concreta na área da saúde.

“A gamificação é uma ferramenta muito útil, facilitadora na transmissão de conhecimentos, designadamente na área da saúde em idades escolares. Sabemos que a promoção da saúde deve iniciar-se muito cedo, em crianças de idade escolar, para que os ganhos em saúde sejam sustentáveis e seja construída uma verdadeira literacia em saúde”, refere Mariana Fiadeiro, da direção de Cidadania Empresarial da CUF Saúde.

Projeto 8. Reuniões para mais altas hospitalares

Categoria - Integração de Cuidados
Projeto - Huddle Meetings - a multidisciplinaridade na diminuição do tempo de internamento do Serviço de Medicina Interna
Entidade - Hospital Garcia de Orta

“Os objetivos deste projeto são diminuir a demora média de internamento no Serviço de Medicina Interna e Unidade de Hospitalização Domiciliária (UHD) e reduzir os constrangimentos para a alta hospitalar do doente, como a não realização de meios complementares de diagnóstico e terapêutica (MCDT) para decisão de alta e eventuais problemas sociais dos doentes”, explicam Arménio Neves, administrador do Hospital Garcia de Orta, e Francisca Delerue, diretora do Serviço de Medicina Interna do mesmo hospital, que neste projeto contou com a parceria com a Lean Health Portugal.

“Como medida de melhoria, a equipa passou a realizar um Huddle Meeting diário de 15 a 20 minutos, em que passaram a discutir as altas do dia e do dia anterior, os MCDT pendentes para decisão de alta e os doentes com protelamento de alta e os seus motivos, permitindo resolver no imediato cada um dos problemas, agilizando as altas dos doentes”, referem Arménio Neves e Francisca Delerue.

A demora média de internamento do Serviço de Medicina Interna rondava cerca de 13,87 dias e uma mediana de 10,50 dias no início de abril de 2021 quando os Huddle Meetings começaram. Em julho, o tempo de internamento em média e mediana eram de 12,44 e 9. O número de doentes com protelamento de alta passou de 52 em abril para 35 em julho, e o número de dias de protelamento de alta desceu de 135 em abril para 100 em julho.

A sua evolução deve ser a aplicação a todos os serviços de internamento hospitalar, e é replicável em todas as instituições hospitalares.

Projeto 7. Moda e reciclagem

Categoria - Sustentabilidade Económica e Financeira
Projeto - Batas Reutilizáveis Inovadoras
Entidade - WellGiven

A WellGiven foi criada em 2008 para dar continuidade à quarta geração no setor têxtil, tendo como foco principal manter a marca Mc Cloud, criada em 1970 pelas anteriores gerações, e torná-la numa marca internacional de renome, recorda Nuno Caetano, CEO da empresa.

A pandemia de covid-19 foi uma oportunidade de negócio e, ao lado da WG Moda, surgiu a WG Medical. “Investimos em máquinas automatizadas de produção de máscaras (cirúrgicas tipo IIR, FFP2, FFP3 e cup mask), toucas, batas, coveralls, aventais, entre outros. Atualmente contabilizamos 14 produtos certificados dos quais seis são da tipologia reutilizável, em parceria com o IPN – Instituto Pedro Nunes. Temos como objetivo alargar os nossos produtos reutilizáveis”, refere Nuno Caetano.

O foco está na produção de dispositivos médicos provenientes de matérias-primas recicladas, nomeadamente o poliéster reciclado proveniente do plástico recolhido dos oceanos e das toneladas produzidas de resíduos hospitalares.

No que diz respeito à produção e comercialização, privilegia-se o processo de produção automatizado que permite um maior rigor na qualidade e uma diminuição do tempo de entrega. O desenvolvimento de uniformes de trabalho é feito pela WG Moda e WG Medical de modo a ligar a moda com os requisitos impostos à parte hospitalar no que diz respeito às certificações e testes ao produto.

“Neste momento, somos já fornecedores de clínicas médicas e hospitais no que diz respeito aos uniformes de trabalho”, diz Nuno Caetano. Exporta 90% da produção e os principais mercados são França, Alemanha, Bélgica, Holanda, Estados Unidos da América e Espanha. O principal concorrente é a China.

Projeto 6. Roupas rastreáveis

Categoria - Sustentabilidade Económica e Financeira
Projeto - Sistema de Rastreabilidade Têxtil
Entidade - Centro Hospitalar Universitário São João, Porto

O Sistema de Rastreabilidade Têxtil é um projeto para melhorar o processo de gestão de roupas hospitalares, tanto da roupa de cama e do doente como dos fardamentos dos profissionais, através da colocação de tags com a tecnologia RFID-UHF nas peças têxteis, para a localização das peças no circuito de rouparia, serviços clínicos e lavandaria.

“O principal objetivo prende-se com a disponibilização de roupa e fardamentos a doentes e profissionais em condições adequadas de forma segura, atempada e sustentável do ponto de vista económico”, refere André Bettencourt Sardinha, do Centro Hospitalar Universitário de S. João. Foi esta instituição que concebeu o projeto e lançou concurso público internacional para a contratação do serviço.

“O anterior processo era pouco consistente, de difícil controlo do ponto de vista da execução e gerava índices de satisfação dos clientes, serviços hospitalares e profissionais de saúde inferiores a 50%”, revela André Bettencourt Sardinha.

Em 2015, começou-se a tentar melhorar e oferecer um serviço de qualidade na disponibilização de roupa e fardamento. Em 6 de fevereiro de 2001 iniciou-se a distribuição automatizada de fardamentos e, em junho de 2021, a área da roupa de cama e do doente.

André Bettencourt Sardinha defende que “a replicabilidade do modelo é possível para qualquer organização de saúde ou empresa de outro setor com o mesmo tipo de problemas”.

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