Encerramento da Maternidade Alfredo da Costa gera poupança anual de 10 milhões de euros
A maior maternidade do País irá fechar portas até ao final do primeiro trimestre de 2013. Assim, já no próximo ano, os partos passarão a ser realizados no Hospital D. Estefânia. Com esta concentração de serviços, o Estado espera poupar 10 milhões de euros por ano.
O anúncio do encerramento da Maternidade Alfredo da Costa (MAC) chegou na Primavera deste ano. Na altura, o ministro da Saúde, Paulo Macedo, apontou o final do ano de 2012 como a data de fecho das portas, mas a administração do Centro Hospitalar Lisboa Central (CHLC) – que concentra os hospitais de S. José, Santa Marta, Capuchos, Curry Cabral, D. Estefânia e Maternidade Alfredo da Costa – veio agora esclarecer que a transferência de serviços será gradual, até ao final do primeiro trimestre.
“O encerramento da MAC está perspectivado, como a presidente do Conselho de Administração do CHLC sempre afirmou, para o final do ano de 2012 ou princípios de 2013, apontando como data muito provável, para a transferência de Ginecologia e Obstetrícia e cuidados intensivos Neonatais o mês de Março. Até lá, as estruturas hospitalares sofrerão movimentos de adaptação até à concentração no Hospital D. Estefânia”, lê-se no comunicado enviado esta tarde às redacções.
MAC só fecha depois das obras na D. Estefânia
Estes “movimentos de adaptação” serão necessários até estarem concluídas as obras de adaptação das instalações existentes nos edifícios do Hospital D. Estefânia, explica a mesma fonte, acrescentando que “a intervenção já estava prevista”, mas que “será alargada para integrar um maior número de postos de Neonatalogia”.
A administração do centro hospitalar sublinha que estas obras envolvem “verbas residuais, ao contrário do que seria necessário para garantir as futuras condições de segurança das infra-estruturas da MAC que obrigariam a um avultado investimento, que poderia ultrapassar os três milhões de euros (canalização, telhados, etc.)”.
Para além disso, os custos de integração da MAC no CHLC implicariam também novos investimentos ao nível dos sistemas informáticos. Seria ainda necessário que outras especialidades médicas como Gastrenterologia, Endocrinologia, Cardiologia Pediátrica e de Adultos, Cirurgia Pediátrica, Infeciologia, Psiquiatria e outras se deslocassem com regularidade à MAC, gerando custos, nomeadamente, de transporte.
Fecho gera 10 milhões de poupança
Pela primeira vez, e depois de vários protestos populares e solicitações por parte da oposição de estudos a justificar o encerramento da MAC, o conselho de administração deste centro hospitalar revela que a “passagem da actividade assistencial para o Hospital D. Estefânia e racionalização de meios assim obtida levará a uma poupança anual superior a 10 milhões de euros”.
Esta poupança advém dos “ganhos de concentração de competências e da melhor articulação das equipas”. Além de que, “os custos associados à manutenção do funcionamento de seis estruturas hospitalares é obviamente muito superior à de cinco”, explica a administração, referindo-se ao Centro Hospitalar Lisboa Central.
No comunicado enviado esta terça-feira, a administração do CHLC informa que, no ano de 2011, a MAC e a Estefânia, em conjunto, realizaram 6.400 partos. Mas este ano, e até ao dia 3 de Dezembro, estas duas unidades hospitalares realizaram 4.340 partos, uma redução de cerca de 1.700 partos.
A administração também admite que há uma “necessidade absoluta de reduzir custos evitando o mais possível a existência de redundâncias, garantindo a qualidade dos cuidados prestados”. E esta medida vai nesse sentido.
O fecho da MAC enquadra-se, de resto, no processo de reorganização da rede hospitalar que terá de avançar a bom ritmo. O ministro já terá entregue à troika um plano mais detalhado de fechos e fusões que irão ocorrer sobretudo em Lisboa e em Coimbra. Com esta revisão da rede hospitalar, o Estado deverá cortar 5% nos custos operacionais dos hospitais em 2013.