Os homens portugueses estão mais satisfeitos com a saúde do que as mulheres. Mas morrem mais cedo
Um estudo publicado esta quarta-feira pela OCDE revela que os homens representam o dobro das vítimas mortais de cancro em Portugal. Ainda assim, o género masculino é o mais positivo em relação à sua saúde.
Em Portugal os homens morrem duas vezes mais de cancro do que as mulheres. Uma das explicações poderá estar na presença de comportamentos de risco em maior número, nomeadamente no consumo de tabaco, explica o relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) publicado esta quarta-feira, 4 de Novembro, que mede o estado de saúde da população de cada país, com base em critérios como a esperança de vida e o desempenho dos serviços de saúde.
Na lista constam os países da OCDE, mas também países candidatos e economias emergentes. O mesmo documento, a que o Negócios teve acesso, inclui também o resultado de um inquérito sobre a percepção do estado de saúde em geral, onde menos de metade dos portugueses classificaram a sua saúde como boa. Uma avaliação só tão negativa na Coreia do Sul e no Japão. Em quase todos os países, os homens dizem-se mais satisfeitos com a sua saúde do que as mulheres.
Na análise ao estado de saúde de cada país, Portugal está incluindo entre o grupo de países com pior desempenho. Neste indicador é medida a esperança média de vida (do homem e da mulher) à nascença e aos 65 anos, bem como a taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares. O indicador mais preocupante é o da esperança média de vida dos homens à nascença, que coloca Portugal em 24.º lugar, numa lista que classifica cada país segundo o seu desempenho positivo.
Já nas mulheres os números são mais animadores e o país sobe para o 9.º lugar. Aos 65 anos a esperança média de vida dos homens é mais animadora, mas ainda assim menor do que nas mulheres, com Portugal em 23.º e 11.º lugar, respectivamente. No entanto, Portugal é um dos países cuja esperança média de vida menos varia entre géneros. Em relação à taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares, Portugal fica em 14.º lugar, diminuindo a mortalidade em dois terços durante os últimos 25 anos.
Já na análise aos factores de risco, a OCDE divide a análise entre o consumo de tabaco, álcool, obesidade em adultos e obesidade infantil. Destes indicadores, os mais preocupantes são o consumo de álcool e a obesidade infantil, sendo que ambos colocam Portugal no último grupo de países, em 25.º lugar. Já no consumo de tabaco e na obesidade em adultos o país consegue melhores resultados, em 14.º e 12.º lugar, respectivamente.
No acesso aos cuidados de saúde, Portugal consegue uma boa distinção na cobertura do serviço de saúde (entre 95% a 100%), acompanhando a larga maioria dos países da OCDE. Resultados semelhantes, mas menos bons, no cumprimento das necessidades médicas e na lista de espera para uma operação às cataratas. Já a nível da despesa com cuidados de saúde, na saúde dentária e nos tempos de espera para cirurgias de substituição de articulações nos joelhos - cujo período em lista de espera se tem agravado nos últimos anos -, Portugal cai para o pior grupo de países. No caso dos cuidados e saúde dentária, por exemplo, cerca de 14,3% da população está privada do acesso a este tipo de cuidados, por os serviços serem demasiado caros, distantes ou implicarem longos períodos de espera.
No que diz respeito aos recursos dos cuidados de saúde, o relatório analisa o nível global de despesas de saúde, o número de médicos, enfermeiros e camas de hospital per capita, bem como os internamentos e máquinas de exames para a Tomografia Axial Computorizada (TAC). Aqui, Portugal consegue uma avaliação positiva no número de médicos (4º.lugar), apesar de a sua distribuição concentrada nos grandes centros urbanos ser assinalada.
O sistema de saúde português perde, essencialmente, em número de enfermeiros (25.º lugar) e em número de camas de hospital (20.º lugar). Assinale-se ainda o baixo número de máquinas de TAC e as elevadas despesas gerais de saúde. Ainda em relação aos enfermeiros, o relatório aborda ainda a tendência de emigração seguida por estes profissionais. Em 2014, mais de 6,5 mil enfermeiros formados em Portugal estavam a trabalhar noutras economias europeias, sendo que a grande maioria está a exercer a sua profissão no Reino Unido.