CIP pede apoios "rápidos e descomplicados" para evitar pico de subsídios de desemprego
O presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal elogia a "rapidez e urgência" com que o Governo disponibilizou apoios para famílias e empresas afetadas pelo mau tempo, mas apela a um reforço da agilidade, para que os empresários consigam rapidamente restabelecer as operações e evitar lançar trabalhadores para o desemprego. "A prontidão de resposta é muito importante. A dimensão [dos apoios] naturalmente que é importante, mas o chegar rápido e de forma descomplicada [é essencial]. Se tivermos um programa perfeito, mas de difícil execução, não serve exatamente para nada", disse em entrevista ao canal NOW.
No domingo, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou apoios para minimizar os estragos provocados pela depressão Kristin, as quais poderão totalizar os 2,5 mil milhões de euros, incluindo uma verba até 10 mil euros, sem necessidade de documentação, para os donos das casas atingidas, e uma linha de crédito para as empresas com 500 milhões de euros para suprir necessidades de tesouraria, entre outras.
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"É preciso recuperar o ânimo dos empresários. Todos aqueles que perderam tudo nesta catástrofe, naturalmente que as situações das famílias, das habitações, foi terrível, foi tremendo, mas as empresas, estamos a falar de uma fonte de rendimento para milhares de pessoas", sublinhou Armindo Monteiro. E para que tal aconteça, diz, não bastam os apoios do Governo. "Sem o apoio da banca comercial pouco pode fazer. É necessária uma intervenção perfeita entre os organismos do Estado, entre o Banco de Fomento e entre a banca comercial", defendeu.
O líder da CIP não quis fazer estimativas de estragos, dizendo ser ainda "muito difícil fazer um cálculo", mas manifestou-se particularmente preocupado com os efeitos no emprego: "É preciso manter os postos de trabalho, porque senão tudo isto se vai transformar em subsídios de desemprego".
Monteiro admite que a força das tempestades foi também "uma lição" para empresários, que devem passar a fazer investimentos tendo em conta possíveis intempéries. "Precisamos de prevenir mais do que remediar. Ou seja, de futuro precisamos de fazer investimentos em infraestruturas mais fortes, mais sólidas. Não estávamos habituados a estas intempéries, mas seguramente não vai ser a última das nossas vidas", comentou.
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O presidente da CIP lamentou ainda que os maiores estragos se tenham feito sentir exatamente numa zona do país conhecida pelo seu empreendedorismo: "São, sobretudo, pequenas e médias empresas que se habituaram a lutar, que se habituaram a construir, que se habituaram a fazer, que normalmente não estão de mão estendida. Temos que ser uma voz de estímulo para que encontrem forças onde às vezes apetece desistir".
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