Preços dos carros arriscam-se a subir com aumentos em toda a cadeia de abastecimento
É um cenário que já se tinha verificado no passado, quando a indústria automóvel viu os preços dispararem. "Somos uma indústria global. Tivemos essa perceção do aumento do custo dos veículos no pós-pandemia. Houve um aumento de 20%, 25%. Desde logo, devido à escassez que existiu nos semicondutores, o aumento significativo dos custos de transporte, sobretudo entre a Ásia e a Europa. Não esquecer também que tivemos uma crise em 2023 no Canal de Suez, que levou muitos barcos a terem de passar pelo Cabo da Boa Esperança, o que foram mais de 12 dias, com o aumento significativo dos fretes", recorda Helder Pedro, secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal (ACAP), em entrevista ao programa do Negócios no canal NOW.
Agora, a guerra do Irão volta a trazer núvens negras a um setor que tem passado por várias dificuldades. A subida do petróleo aumenta os custos de energia e os custos de produção. Há ainda um "aumento imediato daquilo que é o custo dos transportes dos veículos" e dos componentes, que vêm de vários países. A guerra também pesa nas matérias-primas utilizadas: "ao nível do alumínio, que tem uma importância grande na indústria, nos plásticos também, porque a indústria petroquímica é fundamental na produção dos plásticos e temos conhecimento já de serem afetadas várias estruturas nesta zona do Médio Oriente".
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Com todos estes elementos, mesmo com um conflito de pouco mais de duas semanas, Helder Pedro diz que a indústria automóvel já sente "um impacto significativo". Tudo somado, e ressalvando que "a definição dos preços é livre", "haverá certamente um custo significativo, quer ao nível da produção, quer ao nível dos combustíveis, e o consumidor, em última análise, poderá ver refletido no produto final".
O secretário-geral da ACAP lembra que "a compra do automóvel é o segundo investimento das famílias, a seguir à compra da habitação própria, o que requer uma reflexão por parte dos consumidores", e que por isso " é possível que haja retração" no consumo. O contexto pode também impulsionar a compra de elétricos em detrimento de carros a gasolina. "Com este aumento nestas duas semanas, há um custo significativo ao nível da circulação dos veículos das empresas (...) Temos notado um retomar desta discussão: eletrificado, elétrico, não elétrico, face a esta conjuntura", indica.
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