SIVA recusa comentar manipulação nos consumos dos carros mas destaca novas regras

Um estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E) revela que a indústria automóvel enganou os automobilistas portugueses em 1,6 mil milhões de euros desde 2000, manipulando o real consumo dos veículos.
Jornal de Negócios
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Lusa 29 de agosto de 2018 às 14:04

A SIVA, distribuidora em Portugal das marcas Volkswagen, Audi, Skoda, Lamborghini e Bentley, recusou comentar a alegada manipulação no real consumo dos carros, mas destacou as regras mais apertadas que entram em vigor em Setembro.

 

Em causa está um estudo da Federação Europeia de Transportes e Ambiente (T&E) divulgado na terça-feira, que revela que a indústria automóvel enganou os automobilistas portugueses em 1,6 mil milhões de euros desde 2000, manipulando o real consumo dos veículos.

 

Questionada pela agência Lusa, a Sociedade de Importação de Veículos Automóveis (SIVA) recusou comentar as conclusões do estudo pela falta de "informação para compreender algumas delas".

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"Convêm, no entanto, colocar esta notícia no contexto actual", acrescentou a empresa em resposta escrita enviada à Lusa.

 

E continuou: "Em Setembro deste ano, entra em vigor no espaço europeu uma nova norma de medição dos consumos e de emissões de CO2 [dióxido de carbono], chamada WLTP, que substitui a norma NEDC que vigorava há 26 anos".

 

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A empresa realçou que as novas regras passam a prever "um novo método de testes baseado em dados de condução real, mais realista e próximo da utilização diária do automóvel".

 

"Todos os veículos dos construtores europeus em circulação, novos ou já existentes, terão de ser submetidos a esse rigoroso e exigente teste para poderem ser vendidos a partir de dia 1 de Setembro", adiantou a companhia, concluindo que "os valores de emissões e de consumos que os construtores vão comunicar aos seus clientes estará, assim, bastante mais próximo da realidade".

 

O estudo, à escala europeia, indica uma manipulação que abrangeu toda a indústria automóvel e que custou aos condutores europeus um extra de 149,6 mil milhões de euros nos últimos 18 anos.

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Só no ano passado, por causa dessa manipulação, os portugueses gastaram mais 264 milhões de euros em combustível extra.

 

Vista à escala europeia, a manipulação ascendeu a um gasto extra de 23,4 mil milhões de euros, quase tanto quanto os portugueses tinham gastado no ano anterior em alimentação.

 

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A federação tem como objectivo promover a nível da União Europeia, mas também do resto do mundo, uma política sustentável de transportes, minimizando impactos nocivos para o meio ambiente e para a saúde e maximizando a eficiência dos recursos. É apoiada por 58 organizações de 26 países da Europa, incluindo as ambientalistas portuguesas ZERO e Quercus.

 

Nesta manipulação, de acordo com o estudo, os mais lesados foram os automobilistas alemães, com 36 mil milhões de euros desperdiçados desde 2000, seguidos dos britânicos (24,1 mil milhões), dos franceses (20,5 mil milhões), dos italianos (16,4 mil milhões) e dos espanhóis (12 mil milhões).

 

O estudo nota que, quer a União Europeia quer a indústria automóvel, garantem que o novo teste de homologação para consumos e emissões, já em vigor (o WLTP - Worldwide Harmonised Light Vehicles Test Procedure), vai corrigir problemas, mas contrapõe que há estudos, um deles de uma instituição da própria Comissão Europeia, que dizem que o WLTP apenas introduz novas lacunas.

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