Novo Banco diz adeus ao Estado com lucro a crescer para 200 milhões
O Novo Banco registou um lucro de 200,7 milhões no primeiro trimestre de 2026, valor que representa um crescimento de 13,2 % face ao período homólogo. Estes foram os últimos resultados do Novo Banco com o Estado enquanto acionista. A venda aos franceses do Banque Populaire Caisse d'Epargne (BPCE) é assinada hoje, mas o evento não será público.
"Perspetivando o futuro, o Novo Banco mantém um compromisso firme com Portugal e o foco contínuo na criação de valor para clientes, colaboradores e acionistas, contribuindo simultaneamente para a economia portuguesa de forma disciplinada, sustentável e responsável", garante o CEO da instituição, Mark Bourke, no comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
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De janeiro a março, a instituição financeira conseguiu um aumento da carteira de crédito. Em valores brutos, o volume cresceu 3,4% para 31,96 mil milhões de euros. Os empréstimos a empresas aumentaram 1,8% para 14,9 mil milhões, enquanto os dos particulares subiram 4% para 13,8 mil milhões, compostos sobretudo por crédito à habitação, com 11,1 mil milhões de euros. A compra do Unibanco ajudou: "contribuiu com um aumento da carteira de empréstimos a clientes (líquido) de 300 milhões de euros".
O Novo Banco aderiu, como a generalidade da banca, à garantia pública para jovens até aos 35 anos no crédito à habitação. No entanto, nunca divulgou dados sobre o uso da medida. A sua quota é de apenas 20 milhões de euros, valor muito abaixo dos concorrentes. (O BPI, por exemplo, tem uma quota de quase 500 milhões, depois dos reforços que pediu e que foram autorizados pelo Ministério das Finanças).
As imparidades de crédito desceram 0,5% para 805 milhões. O rácio de malparado caiu de 3,2% para 2,9%.
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A carteira de depósitos também cresceu, de 30,1 para 33,2 mil milhões de euros.
O rácio de transformação está nos 83%.
Após a normalização da política monetária e da respetiva descida das taxas de juro do Banco Central Europeu (BCE) no ano passado, o encaixe com a margem financeira caiu 1% para 276 milhões de euros. As comissões renderam 85,6 milhões de euros, mais 1,5% do que no primeiro trimestre de 2025, com o crescimento "a ser impulsionado pela gestão de contas e meios de pagamento".
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O produto bancário caiu assim 0,4% para 361,8 milhões de euros.
Os custos operacionais, por seu turno, aumentaram 4,4%, atingindo 130,6 milhões de euros.
Em dia de ser entregue a novos acionistas, o Novo Banco comunicou uma queda da rendibilidade. O indicador "Return on Tangible Equity" (RoTE) desceu para 19,9% face aos 21,7% apresentados há um ano. No final de março o banco tinha uma quota de mercado de 9,2%, sendo que no segmento de médias empresas atingiu 18,2%.
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Em termos de rácios de capital, o banco apresenta um "Common Equity Tier 1" de 19,2%, acima dos 17,4% observados em março de 2025.
Entre março de 2025 e o mesmo mês deste ano, o número de trabalhadores diminuiu: passou de 4.213 para 4.132. No entanto, a rede de balcões cresceu de 290 para 302.
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Foi a última apresentação de resultados do banco que no verão de 2014 sucedeu ao Banco Espírito Santo (BES). Ao longo destes quase doze anos a instituição financeira foi alvo de polémica, sobretudo em torno das injeções feitas pelo Fundo de Resolução (FdR), que se financiou junto do Estado.
O Novo Banco - a marca foi criada pelo então governador Carlos Costa, que decidiu a resolução do BES, "partindo-o" em dois: o "banco mau" (BES) e o "banco bom" (Novo Banco). Foi vendido ao fundo norte-americano Lone Star em 2017, que ficou com 75% do capital, sendo os restantes 25% propriedade do Estado (11,46%) e do FdR (13,54%).
No acordo de compra foi incluído o mecanismo de capitalização, que obrigava o Fundo a injetar capital sempre que as perdas originadas por ativos tóxicos herdados do BES fizessem cair os rácios de capital. Foi o que aconteceu: dos 3,9 mil milhões de euros possíveis, o FdR injetou aproximadamente 3,4 mil milhões.
Há quase um ano chegava ao fim o suspense em torno da venda. Nesse período, e perante a hipótese de o banco ser comprado pelo Caixabank, dono do BPI, ressurgiu em Portugal o medo da "espanholização" da banca que levou o Governo a escrever a Madrid manifestando desconforto com essa possibilidade. No entanto, o cenário caiu definitivamente por terra em junho de 2025, quando o grupo francês BPCE anunciou a compra da instituição financeira por 6,4 mil milhões de euros - um valor que será revisto em alta face à evolução do banco, que é hoje um dos mais rentáveis do sistema.
A operação será fechada hoje, sem cerimónia pública, a meio da manhã. Será o fim de um capítulo da história financeira do país.
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