Associados do Montepio aceitam separar gestão da caixa económica e da associação
Já há aprovação para que haja uma efectiva separação entre o banco Montepio e a associação mutualista que o controla. O processo deverá ficar concluído no Verão de 2015.
O Montepio já tem autorização dos seus associados para promover uma alteração dos seus estatutos que permita a separação da gestão da associação mutualista face à presidência da sua instituição financeira.
"Foi aprovada a oportunidade de alteração parcial dos Estatutos da Caixa Económica Montepio Geral e eleita uma Comissão para elaborar projecto ou dar parecer composta por: António Gonçalves Ribeiro, António Pedro Sameiro, António Pereira Gaio, Luísa Xavier Machado e José Arez Romão", indica o gabinete de relações públicas institucionais do Montepio ao Negócios.
A aprovação deu-se na assembleia-geral da associação mutualista desta quarta-feira, 1 de Abril, onde, de acordo com a mesma fonte, estiveram presentes 640 associados, embora 7 sejam não votantes. Não foram avançadas as votações específicas ainda que a instituição diga ao Negócios que todas as deliberações para votação foram aprovadas "por maioria muito folgada".
Esta comissão, constituída por cinco elementos, pretende criar um projecto de alteração dos estatutos da Caixa Económica. Estatutos que contam com "alguns desajustamentos pontuais" face ao regime jurídico que se impõe às instituições de crédito, como assinala a convocatória.
Um dos objectivos dessa modificação é o de "garantir uma efectiva independência das gestões do Caixa Económica Montepio Geral e do Montepio Geral Associação Mutualista", algo que tem sido pedido "repetidamente" pelo Banco de Portugal. É inserido nessa autonomia que Tomás Correia ficará apenas na associação e Teixeira dos Santos pode ascender à presidência executiva da Caixa – ainda que não haja ainda decisões definitivas neste campo.
A assembleia realizou-se esta quarta-feira mas estava inicialmente marcada para 30 de Março. Contudo, o espaço marcado – o auditório da sede não era suficiente para tantos interessados, pelo que teve de ser remarcado para a Aula Magna.
Segundo disse Tomás Correia numa entrevista ao Diário Económica na segunda-feira, as novas regras que vão nortear a caixa económica e a sua relação com a associação mutualista deverão estar em vigor já ainda no decorrer do Verão.
Foi a caixa económica - e não a associação - que apresentou prejuízos de 187 milhões de euros no exercício do ano passado.