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BES Angola vai receber injecção de 3.406 milhões de euros

O BES Angola vai receber uma injecção de capital de 3.406 milhões de euros (425,8 mil milhões de kwanzas) por determinação do Banco Nacional de Angola. O reforço de fundos próprios resulta da necessidade de fazer provisões para crédito malparado e para imóveis. O Novo Banco pode “investir” 56 milhões de euros (7.000 milhões de kwanzas) na operação.

Reuters
Maria João Gago mjgago@negocios.pt 20 de Outubro de 2014 às 16:42
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O Banco Nacional de Angola (BNA) impôs a realização de um aumento de capital no BES Angola no valor de 425,8 mil milhões de kwanzas, o que equivale a 3.406 milhões de euros, de acordo com o câmbio de 4 de Agosto, data de referência da intervenção do supervisor angolano. Este reforço de fundos próprios destina-se a repor a solidez da instituição, que ficou negativa depois dos ajustamentos ao balanço impostos pelo supervisor na sequência de intervenção na instituição.

 

Por imposição do BNA, o BES Angola foi obrigado a fazer provisões de 429 mil milhões de kwanzas (3.432 milhões de euros) para a carteira de crédito malparado e de 59 mil milhões de kwanzas (472 milhões de euros) para a desvalorização dos imóveis em carteira. Além disso, a instituição, onde o BES "mau" mantém uma participação de 55,71%, teve de reconhecer perdas de 840 milhões de kwanzas (7 milhões de euros) em negócios entretanto descontinuados.

 

BES "mau" perde posição no BESA

 

A injecção de capital será feita em duas fases, de acordo com o comunicado do BNA. Inicialmente, o BESA recebe 360,8 mil milhões de kwanzas (2.886 milhões de euros) através da conversão de parte do empréstimo interbancário sénior que o BES concedeu à instituição e cujo crédito passou para o Novo Banco. Este aumento de capital será seguido de "uma redução dos capitais próprios dos accionistas por absorção da totalidade dos prejuízos acumulados", refere a entidade de supervisão angolana.

 

"Com esta operação, os actuais accionistas do banco vêem as suas participações no capital social completamente diluídas", esclarece o BNA. Nesta fase, a posição accionista do BES "mau" no BESA é "completamente diluída", pelo que o banco onde permanecem os activos tóxicos gerados pela gestão de Ricardo Salgado perde o dinheiro aplicado no banco angolano.

 

De seguida, o BES Angola realiza um aumento de capital de 65 mil milhões de kwanzas (520 milhões de euros), a subscrever "pelos accionistas ou por entidades por si convidadas e aceites pelo BNA, a efectuar em numerário" e que se destina a "reconstituir o capital social  e assegurar o cumprimento dos rácios prudenciais mínimos", refere o comunicado do supervisor.

 

Finalmente, poderá ainda ter lugar "a conversão de 7.000 milhões de kwanzas [56 milhões de euros] do empréstimo interbancário sénior" do Novo Banco ao BESA, o que significa que a instituição liderada por Eduardo Stock da Cunha ficará com 9,9% do banco angolano. Uma operação que tem ainda de ser autorizada pelas autoridades competentes e que, a realizar-se, elevará a 432,8 mil milhões de kwanzas (3.462 milhões de euros) a injecção total de capital do BES Angola.

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