Commerzbank vai despedir 3.000 pessoas como parte da "defesa" contra o Unicredit
Nos primeiros três meses deste ano, o segundo maior banco comercial da Alemanha teve um lucro superior a 900 milhões de euros.
O banco alemão Commerzbank, que está a ser alvo de uma oferta pública de aquisição hostil por parte do italiano Unicredit, revelou nesta sexta-feira que tenciona despedir 3.000 pessoas com o objetivo de atingir metas lucrativas mais ambiciosas. A potencial melhoria de resultados futuros com esta decisão é um dos novos argumentos de "defesa" contra a aquisição do Unicredit.
O banco alemão melhorou também a perspetiva financeira para o período até 2030, esperando alcançar um lucro de 5,9 mil milhões de euros e receitas de 16,8 mil milhões de euros nesse ano. O Commerzbank anunciou ainda que tenciona investir 600 milhões de euros nos próximos quatro anos em tecnologias de inteligência artificial para acelerar o processo de transformação do negócio.
Por fim, o banco anunciou o objetivo de atingir uma rendibilidade dos capitais próprios de 17% até 2028, uma melhoria face aos 15% previstos anteriormente. Até 2030 este indicador deverá aumentar até 21%, segundo a informação divulgada nesta sexta-feira.
Todas estas novidades foram apresentadas juntamente com os resultados relativos ao primeiro trimestre do ano, nos quais os lucros foram de 913 milhões de euros – uma melhoria de 9,4% face ao período homólogo –, e receitas de 3,22 mil milhões de euros, superiores às de 3,07 mil milhões registadas há um ano.
Estes novos indicadores servem para aliciar os atuais acionistas sobre um futuro mais positivo para o banco alemão, numa altura em que os mesmos têm até junho para decidir se aceitam a proposta de compra apresentada pelo italiano Unicredit.
Não é segredo que a atual administração do Commerzbank repudia a OPA dos italianos, um caso que também tem repercussões políticas, já que o Estado alemão é um dos maiores acionistas da entidade bancária.
Ainda esta semana, o vice-presidente do conselho de administração do Commerzbank, Michael Kotzbauer, considerou que "o UniCredit apresentou-nos um plano que desmantela o banco tal como opera atualmente para os clientes e não oferece nenhum prémio em troca para os nossos acionistas", naquele que foi o mais recente ataque contra a proposta.