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DBRS destaca lucros da banca portuguesa mas alerta para aumento de custos

Os resultados são "sólidos" e a qualidade dos ativos está em bom nível, mas a inflação e a incerteza pressionam os principais bancos portugueses.

A agência canadiana DBRS divulga esta noite a notação financeira do país. Avalia atualmente a dívida portuguesa no nível de investimento BBB (“high”) com perspetiva positiva.
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A DBRS destaca os resultados positivos dos bancos portugueses no primeiro semestre, que "quase duplicaram em comparação com o mesmo período do ano passado, sobretudo devido a maiores receitas e menores provisões e imparidades". No entanto, a agência de notação financeira avisa que a incerteza e a inflação vão pressionar os bancos nacionais nos próximos tempos.

"A maioria dos bancos regressou aos lucros do pré-pandemia ou excederam-nos", lembra a agência de rating canadiana, tendo em conta que os principais bancos nacionais apresentaram em conjunto 1,3 mil milhões de lucros, face aos 678 milhões do primeiro semestre do ano passado.

Além disso, as reservas de capital "mantiveram-se largamente estáveis em comparação com o final de 2021" e o crédito malparado tem sido cada vez mais reduzido: "O stock agregado de NPLs [créditos não produtivos], continuou a diminuir trimestre a trimestre e ano a ano, uma vez que a qualidade dos ativos permaneceu em grande parte resiliente após a liquidação das moratórias", sublinha a agência de rating.

O atual contexto, no entanto, é de incerteza e, apesar de "as condições de financiamento e liquidez permanecerem adequadas", a DBRS alerta para "a recente volatilidade do mercado", que está "a contribuir para o aumento dos custos de refinanciamento".

Os resultados no primeiro semestre são "sólidos", mas "a crescente incerteza e o ambiente macroeconómico mais desafiante, devido aos altos preços da energia e à pressão persistente da inflação, vão provavelmente pressionar os lucros e a qualidade dos ativos no futuro", segundo Nicola De Caro, da DBRS.

"A curto prazo, o stock de NPL poderá continuar a diminuir, embora a um ritmo mais lento ou
permanecendo em grande parte estável aos atuais níveis. No entanto, a nosso ver, a persistente pressão da inflação e os elevados custos de energia aumentarão a ansiedade dos devedores e aumentarão os riscos de qualidade dos ativos a médio prazo", sublinha a agência.

Por outro lado, a DBRS espera que os bancos beneficiem do crescente aumento das taxas de juro, o que "tem em conta a elevada exposição dos bancos portugueses a empréstimos com taxas variáveis".
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