FMI: Portugal, Grécia e Itália são os mais penalizados com o malparado
O Fundo Monetário Internacional alerta para os problemas do crédito malparado e do impacto negativo que esse factor está a ter nas acções dos bancos europeus.
A banca europeia tem sofrido a pressão do mercado. E o FMI observou que os sistemas bancários da Grécia, Itália e de Portugal, se bem que numa dimensão menor, foram os mais afectados, a par de alguns dos maiores bancos alemães. Um dos factores que mais preocupa o FMI e os investidores é o peso do malparado nos balanços dos bancos, segundo o relatório de estabilidade financeira divulgado esta quarta-feira, 13 de Abril. A entidade liderada por Christine Lagarde realça que, em Junho de 2015, o valor do malparado nos bancos da Zona Euro era de 900 mil milhões de euros.
Esse problema levou o governo italiano a pensar em medidas para aliviar esse fardo. E em Portugal, António Costa também colocou o assunto na agenda, ao defender que o País devia "encontrar um veículo de resolução para o crédito malparado, de forma a libertar o sistema financeiro de um ónus que dificulta uma participação mais activa no financiamento às empresas".
Quanto maior o malparado maior o castigo do mercado
"Os sistemas bancários com níveis mais elevados de crédito malparado tiveram, geralmente, uma maior descida dos preços das acções, especialmente na Grécia e Itália", refere o FMI. A entidade liderada por Christine Lagarde considera que "a fraca rentabilidade dos bancos da Zona Euro aumenta a dificuldade em lidar com o crédito malparado ao reduzir a capacidade dos bancos em construir almofadas de capital através da retenção de lucros".
Os bancos italianos têm sido dos mais pressionados devido ao elevado malparado, o que levou o Governo de Matteo Renzi a estudar soluções para aliviar o problema. Esta semana, foi anunciado um fundo que poderá ser um comprador de último recurso em operações de aumentos de capital e que poderá absorver activos problemáticos através da compra de instrumentos titularizados. Este veículo é uma das ferramentas num leque mais alargado de medidas que Itália quer colocar em prática para conter o problema.
"A banca italiana enfrenta um desafio particular, com os preços do mercado a reflectirem as preocupações dos investidores de que alguns bancos possam sair do fardo do malparado, apesar dos passos construtivos tomados pelas autoridades italiana para facilitar a reparação dos balanços", observa o FMI.
Problemas vão além do malparado
Apesar dos estragos que o elevado crédito malparado está a causar em alguns bancos europeus, há outros problemas identificados pelo FMI. A entidade realça os desafios do próprio negócio dos bancos. "As dificuldades nas transições dos modelos de negócio e os custos legais levaram a resultados extraordinariamente fracos em alguns dos maiores bancos europeus".
Também as alterações regulatórias estão a colocar dificuldades adicionais: "Os bancos enfrentam exigências estruturais de mais capital em resultado da evolução regulatória, mas alguns podem ter dificuldades em atingir estes requisitos".