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Grandes bancos dos EUA vão aumentar dividendos e recomprar mais ações próprias

Com a "aprovação" nos testes de stress, são levantadas aos grandes bancos norte-americanos, a partir de 30 de Junho, as restrições de distribuição de dividendos e de recompra de ações próprias que estavam em vigor desde o ano passado.

5.º Estados Unidos da América (63,4)
Andrew Harrer
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 28 de Junho de 2021 às 22:48
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Os 23 grandes bancos norte-americanos e a operar nos Estados Unidos que foram alvo dos testes de stress – avaliação da resiliência do setor financeiro a cenários hipotéticos de descarrilamento das economias – tiveram todos nota positiva, anunciou a Fed na passada sexta-feira.

 

Com esta "aprovação" nos testes de resiliência a cenários de choque, são levantadas a todos os bancos, a partir de 30 de Junho, as restrições de distribuição de dividendos e de recompra de ações próprias que estavam em vigor desde o ano passado.

 

E muitos desses bancos estão a ser rápidos a fazerem os seus anúncios, todos eles a divulgarem aumentos no valor dos dividendos e uma maior recompra de ações.

 

O Morgan Stanley anunciou que vai duplicar o seu dividendo trimestral para 70 cêntimos de dólar e recomprar ações próprias num montante até 12 mil milhões de dólares.

 

Já o JPMorgan decidiu elevar o seu dividendo para 1 dólar por ação e anunciou que prosseguirá com a recompra de ações.

 

O Bank of America, por seu lado, vai reforçar em 17% a sua remuneração acionista trimestral.

 

Também o Goldman Sachs já se pronunciou, dizendo que subirá o dividendo para de 1,25 para 2 dólares por ação.

 

O Citi referiu que continuará a pagar dividendos de pelo menos 51 cêntimos de dólar por ação e que também irá recomprar títulos próprios.

Por seu turno, o Wells Fargo vai duplicar a remuneração aos acionistas e pretende gastar 18 mil milhões de dólares em "buybacks".

 

Recorde-se que, em junho do ano passado, a Fed anunciou que os maiores bancos que operam nos Estados Unidos tinham passado nos testes de stress levados a cabo pela Reserva Federal – mas os riscos que espreitavam, por força da pandemia, levaram o banco central a impor alguns limites (limitar a distribuição de dividendos e proibir a recompra de ações próprias) até ao final de setembro, altura em que estendeu essas restrições por mais um trimestre.

 

Uma análise aos efeitos da pandemia de covid-19 na economia e no sistema financeiro pôs a descoberto potenciais riscos que levaram então a Fed a colocar limites à distribuição de dividendos e a proibir a recompra de ações.

 

No que toca aos dividendos, o que ficou definido foi que os maiores bancos norte-americanos (com mais de 100 mil milhões de dólares de ativos) não poderiam aumentar a remuneração acionista, que passou a estar vinculada a uma fórmula baseada nos lucros mais recentes.

 

Depois, a 19 de dezembro, já após a segunda ronda de testes de stress ter confirmado que os grandes bancos mantinham fortes níveis de capital, a Fed autorizou a retoma das recompras de ações próprias, mas com limites. "No primeiro trimestre de 2021, o pagamento de dividendos e a recompra de ações serão limitados a um valor com base nos lucros do ano anterior. Se um banco não obtiver lucros, não poderá pagar dividendos nem proceder a recompras", referiu então.

 

Entretanto, no passado dia 24 de março, a secretária norte-americana do Tesouro, Janet Yellen, tinha já referido que os bancos norte-americanos pareciam estar com saúde suficiente para que lhes fosse permitido voltarem a distribuir dividendos e recomprar ações próprias.

 

Um dia depois, a Fed confirmou esse cenário, tendo dito que os bancos que passassem na ronda dos testes de stress agora divulgados deixariam de ter limites à recompra de ações próprias e ao montante dos dividendos a partir de 30 de junho. Com a nota positiva nos testes, os grandes bancos norte-americanos estão já a preparar-se para o fazerem.

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