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"Lesados do papel comercial" com maiores aplicações querem "tratamento igual"

A actual solução, a ser desenhada com os reguladores e o Governo, prevê que haverá uma devolução máxima de até 250 mil euros no papel comercial. Quem investiu mais contesta. "Todos deviam receber 75%. Fomos todos lesados da mesma forma".

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 18 de Outubro de 2016 às 17:46
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Os clientes do antigo BES que colocaram mais de 250 mil euros em papel comercial das empresas do Grupo Espírito Santo não estão satisfeitos com a solução que está a ser desenhada com o Governo.

 

Esta terça-feira, 18 de Outubro, realizou-se um encontro entre os investidores que subscreveram papel comercial acima daquele montante que juntou cerca de 60 pessoas, segundo indica Mário Lopes, que lidera o grupo de investidores que pertencem à AIEPC, associação de papel comercial, mas que pretendem receber mais do que o que lhes é permitido com a actual solução.

 

As bases da solução encontrada até ao momento, e que está a ser intermediada por Diogo Lacerda Machado em nome do Governo, são a de que os "lesados" que investiram até 300 mil euros podem receber 75% do investimento. Acima daquele valor, a recuperação máxima é de 250 mil euros. O que pode implicar perdas superiores.

 

Por exemplo, um investidor que tenha subscrito 1 milhão de euros, ao subscrever a solução, assume que não recebe 750 mil euros. Uma perda de 75% do valor. Ou recuperação de 25% do capital investido.

 
"Tratamento igual"


"Todos deviam receber 75% [do valor]. Fomos todos lesados da mesma forma", defende Mário Lopes. A defesa é uma: "tratamento igual" para todos os investidores. A AIEPC, liderada por Ricardo Ângelo, tem estado em encontros com o Banco de Portugal, a CMVM, o BES e o Governo para fechar a solução encontrada em Junho passado no âmbito do memorando de entendimento.

 

"30% [de recuperação] é o que dá a Deloitte". A auditora fez, em nome do Banco de Portugal, o estudo que prevê o que perderiam os credores se o BES tivesse sido liquidado em vez de resolvido e que obriga a que os credores comuns, como os investidores de papel comercial, a receberam 30% do capital colocado nestes produtos financeiros. Ou seja, segundo a lógica, não valia a pena participar na solução do Governo porque a indemnização (a ser paga na liquidação do BES e, se não for suficiente, pelo Fundo de Resolução) é idêntica.

 

Assim, o que este grupo de investidores defende é que a forma de comercialização do papel comercial foi a mesma, aos mesmos balcões (BES, BES Açores, BEST, agora Novo Banco), pelo que deveriam receber todos "75% do investimento, independentemente do montante".

 

Neste momento, ainda se aguarda pela luz verde do Ministério das Finanças à proposta do grupo de trabalho para os 2.100 títulos de papel comercial subscritos por investidores não qualificados. 

 

É a banca, através do Fundo de Resolução, que assegura a maior parte do valor a reembolsar aos investidores, a que se junta ainda o montante recuperado junto das insolvências do BES, da Rioforte e da ESI. O arresto da justiça e eventuais indemnizações também contribuirão para a solução. 

Solução até Dezembro

Ricardo Ângelo, da AIEPC, disse, no início de Outubro, que a solução poderá concretizar-se até ao final do mês, tentando ainda actuar para não prejudicar o défice de 2017. Nessa altura, o líder da associação esperava que 85% dos lesados aceitassem a solução, admitindo que houvesse resposta negativa por parte de quem tinha subscrições mais elevadas. 

"Há cerca de 15% que vão receber entre 50 a 60% [do capital aplicado] e dessas, 5% das pessoas é provável que não aceitem a solução, porque não lhes é apelativa o suficiente", disse Ricardo Ângelo em Outubro.

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