Maior seguradora nacional não tem dívida "perdida" do Novo Banco
A Fidelidade, seguradora do grupo chinês Fosun que esteve na corrida pelo Novo Banco, não tem em carteira dívida sénior do Novo Banco que, por decisão do Banco de Portugal, foi para o BES, que vai entrar em liquidação.
A maior seguradora do mercado nacional, a Fidelidade, não tem em carteira as obrigações que saíram do Novo Banco para o BES "mau", um movimento que melhorou os rácios deste banco mas que significa perdas para os investidores que a detêm.
"Relativamente a este tema, conforme confirmámos, a Fidelidade não tem qualquer exposição à dívida sénior do Novo Banco", indica fonte oficial da companhia de seguros ao Negócios.
A Fidelidade é a empresa seguradora líder do mercado português que, em 2014, foi adquirida pela Fosun. O grupo chinês foi um dos três finalistas na corrida pelo Novo Banco, no concurso internacional lançado pelo Banco de Portugal que foi cancelado devido a várias incertezas, nomeadamente por ainda não se conhecerem os resultados dos testes de stress ao Novo Banco.
Divulgados em Novembro, estes exames revelaram necessidades de capital de quase 1.400 milhões de euros no Novo Banco que, em Dezembro, se viu obrigado a reforçar o seu capital. O regulador do mercado financeiro optou por impor a cobertura desse "buraco" ao libertar o banco da necessidade de reembolsar 1.985 milhões de euros em dívida que está nas mãos de grandes investidores, como bancos e seguradoras e fundos de investimento, e que passou a se responsabilidade do BES "mau" – entidade que tem uma situação desequilibrada e que é incapaz de assegurar o reembolso de todo o montante. Ou seja, há investidores institucionais que podem enfrentar perdas relevantes, consoante a sua exposição.
A accionista minoritária e antiga detentora da Fidelidade, a Caixa Geral de Depósitos, não tem qualquer exposição a estas cinco emissões retransmitidas do Novo Banco para o BES "mau". Aliás, segundo confirmaram ao Negócios, os grandes bancos portugueses não têm esta dívida em carteira.
Não foi ainda possível obter informações concretas sobre todo o sector segurador. O Negócios questionou a Associação Portuguesa de Seguradores para saber se há uma exposição relevante mas ainda não é possível fazer uma análise global de todo o sector: "A APS não tem dados que permitam fazer comentários sobre os temas".
O que aconteceu ao Novo Banco
O Banco de Portugal transferiu 1.985 milhões de euros em obrigações seniores do Novo Banco (títulos de dívida que tinham escapado a perdas na altura da resolução, ao contrário das obrigações subordinadas e das acções) para o BES. Sem esta dívida a seu cargo, o banco consegue registar um impacto positivo de 1.985 milhões de euros, reforçando o rácio de melhor capital para 13%. Uma decisão que afecta quem detêm estes títulos: o Novo Banco já não assegura o seu reembolso e a devolução passa a estar a cargo do banco "mau", que não tem fundos que consigam pagar a totalidade destes activos.
Um dos argumentos do Banco de Portugal para defender a medida é a de que ela só afecta investidores institucionais, o que engloba, além de bancos, seguradoras e fundos de investimento. "O Banco de Portugal determinou retransmitir para o BES a responsabilidade pelas obrigações não subordinadas por este emitidas e que foram destinadas a investidores institucionais".
O BES vai, agora, caminhar para a sua liquidação, distribuindo os poucos activos que lhe restam pela hierarquia de credores.