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Pimco ameaça judicialmente Banco de Portugal por causa do Novo Banco

Uma das grandes gestoras de activos do mundo disse ao Expresso que vai colocar em tribunal a decisão do Banco de Portugal de retirar dívida sénior do Novo Banco para o BES. A Pimco é uma das afectadas e, por isso, vai agir judicialmente.

Bruno Simão/Negócios
07 de Janeiro de 2016 às 13:09

A Pimco, uma das maiores gestoras de activos do mundo, é uma das entidades que mais perde com a decisão do Banco de Portugal de recapitalizar o Novo Banco à custa de dívida sénior. Como tem este tipo de obrigações em carteira, a Pimco vai contestar a opção do regulador de transmitir dívida do Novo Banco para o BES "mau", avança o jornal Expresso.

O Expresso falou com Philippe Boderau, que é o director-geral da Pimco em Londres, que adiantou que queria reverter a decisão ou, caso contrário, ser indemnizado. A contestação será feita em vários países. O Negócios ainda não conseguiu obter uma resposta por parte da Pimco, fundada por Bill Gross (e agora liderada por Douglas Hodge). Já o Banco de Portugal não comenta processos judiciais.

A 29 de Dezembro, o Banco de Portugal tomou a decisão de recapitalizar o Novo Banco em 1.985 milhões de euros ao retirar-lhe a responsabilidade de reembolsar cinco linhas de obrigações seniores (as mais caras e, por isso, mais seguras), atribuindo-as ao BES "mau", onde já se encontravam desde a resolução as obrigações subordinadas (que têm menos privilégio na hierarquia de credores do que as seniores) e as acções.

O Novo Banco conseguiu ficar com um rácio de solidez de 13% mas os detentores da dívida sénior passaram a ser credores do BES "mau", que tem uma situação completamente deficitária, com um leque de activos muito abaixo do passivo, ou seja, onde a capacidade de ser reembolsado é reduzida - aliás, esta entidade vai entrar em liquidação.

Daí que os investidores penalizados, como a Pimco (nome herdado de Pacific Investment Management), optem pela via judicial para contestar a decisão.

Mais de 250 milhões

No início da semana, o Económico tinha já avançado que o grupo Allianz, em que se insere a Pimco, era uma das entidades que mais sofria com o impacto da decisão, tal como a BlackRock, com mais de 250 milhões de euros aplicados nestas obrigações. O jornal calculou que os dois grupos tinham, além desta dívida, investimentos de 2 mil milhões de euros em outras empresas portuguesas ou em dívida da República Portuguesa.

Apesar de o Banco de Portugal ter dito que a intenção de recapitalizar o Novo Banco (para compensar as necessidades relevadas nos testes de stress de Novembro) era através da venda de participações, tal não foi conseguido e, antes do final do ano, optou-se por uma intervenção interna, com parte da dívida sénior que, na resolução de 3 de Agosto de 2014, tinha escapado a perdas.

A BlackRock é outra das gestoras de activos que terá sido afectada pela decisão do regulador presidido por Carlos Costa mas, apesar dos contactos do Negócios, a entidade americana tem optado por não fazer comentários. Ainda não foi possível obter uma declaração após esta indicação da Pimco de que vai para os tribunais. Em Portugal, os grandes bancos e a maior seguradora escaparam a perdas mas há três fundos de investimento e dois fundos de pensão com exposição à dívida sénior transmitida.

Particulares também perdem

Apesar de haver mais linhas de obrigações seniores do Novo Banco, o Banco de Portugal seleccionou apenas cinco por serem aquelas que, aquando da emissão, se destinavam apenas a investidores institucionais. Contudo, depois da venda, no mercado secundário e em balcões "private" (para clientes de maiores recursos), a dívida foi transaccionada, chegando às mãos dos particulares. Carlos Costa já veio esclarecer que também estes pequenos investidores vêem a sua dívida ser transferida, como a dos institucionais, ou seja, arriscam perder o seu investimento.

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