Miguel Maya: "Diminuir a taxa de esforço? Acho muito bem"
O presidente executivo do BCP aplaude a intenção do Banco de Portugal em apertar os critérios de concessão de crédito à habitação através da redução da taxa de esforço máxima. Em entrevista ao Negócios e Antena 1, Miguel Maya afirma que é positivo salvaguardar que as famílias tenham capacidade de pagar aos bancos.
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A garantia do Estado de apoio aos jovens até aos 35 anos no crédito a habitação tem levado ao aumento dos empréstimos de risco elevado e, por isso, o Banco de Portugal vai apertar os critérios de concessão, reduzindo o tecto à taxa de esforço. Em entrevista ao Negócios e Antena 1, que será publicada na íntegra na próxima segunda-feira, o CEO do BCP aplaude a medida.
Atualmente o limite máximo da taxa é de 50%, valor que poderá, segundo noticiou o jornal Expresso, ser cortado para 40% ou 45%. A alteração é bem-vinda, diz Miguel Maya. "Olhando só para diminuir a taxa de esforço, acho muito bem", afirma o CEO do BCP, ressalvando que não pode pronunciar-se a fundo sobre as mexidas que ainda não foram formalmente comunicadas.
O tema do risco nestes empréstimos foi motivo de afirmações divergentes entre o Governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, e o líder da instituição financeira, mas sobre um outro indicador: O LTV, ou “Loan-to-Value”, que mede a relação entre os valores do financiamento e do imóvel. Este rácio é um dos usados para classificar créditos como sendo de risco elevado e, em circunstâncias normais, é de 90%. Ao abrigo do regime, este limite passou a ser de 100%, o que leva a um aumento dos empréstimos de risco alto.
E nesse aspeto a divergência permanece. ""Uma coisa é o LTV nos 90% ou 100%. Outra é a preocupação que as famílias tenham capacidade de pagar aos bancos e ter uma vida equilibrada", diz Miguel Maya, para quem a garantia pública deve continuar: "Como português, acho que é muito importante para os jovens. Como gestor, obviamente, estou interessado no negócio", diz o CEO do Millennium.
O presidente executivo do banco destaca que "o crédito com garantia em incumprimento é muito baixo. O BCP tem seis casos. Mas percebo a medida: vamos ser mais cautelosos para garantir que, perante a imprevisibilidade, as famílias têm uma maior reserva".