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Norberto Rosa já não vai para o BCP

Norberto Rosa era o único administrador proposto para o BCP que ainda não tinha recebido a luz verde do BCE. Desde Maio que a aguarda. Já não vai ser precisa. O ex-BdP e ex-CGD vai para a Associação Portuguesa de Bancos.

Foi secretário de Estado do Orçamento de Ferreira Leite no Governo de Durão Barroso. Norberto Rosa foi depois para o Banco de Portugal onde é consultor do Banco de Portugal.
Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 03 de Dezembro de 2018 às 17:59
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O antigo administrador da Caixa Geral de Depósitos, Norberto Rosa, não vai, afinal, integrar a equipa de administração do Banco Comercial Português, cuja nomeação para o cargo estava à espera há vários meses do Banco Central Europeu, como o Negócios noticiou em Outubro. 

 

Norberto Rosa foi o único dos administradores propostos pelos accionistas do banco que mereceu questões adicionais por parte do Banco Central Europeu. O nome foi aprovado em Maio, juntamente com os outros 16 administradores, mas todos entraram em funções em Julho, ao contrário de Norberto Rosa. Faltava a luz verde de Frankfurt. Nunca chegou. Nem vai chegar.

 

"O Exmo. Senhor Dr. Norberto Emílio Sequeira da Rosa comunicou à Comissão de Remunerações e Previdência do Banco Comercial Português, S.A. ("BCP") ter aceitado o convite para o cargo de secretário-geral da Associação Portuguesa de Bancos", indica o comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Segundo a nota do banco enviada ao regulador, Norberto Rosa considera que "no âmbito deste cargo, lhe caberá atender aos interesses do sector bancário como um todo, o que se mostra incompatível com o desempenho das funções de membro não executivo do conselho de administração do BCP".

 

Assim, Norberto Rosa "solicitou a renúncia" àquele cargo "bem como a inerente cessação do processo de autorização que seguia o seu curso normal junto das entidades competentes".

 

Norberto Rosa era um dos nomes fortes da nova equipa de administração do BCP, proposta em conjunto pela Fosun, Sonangol e Fundo de Pensões da EDP - foi esta proposta que levou Nuno Amado para "chairman" e Miguel Maya para CEO. Aliás, a presença de Norberto Rosa no "board" do banco privado foi anunciada pelo comentador Marques Mendes. Iria presidir à comissão de auditoria - com função de fiscalização da administração. Não chegará a acontecer. 

Quando escreveu sobre o facto de o BCP ainda estar a aguardar a autorização para Norberto Rosa, não foi possível saber o que estaria a atrasá-la mais meses do que em relação aos restantes administradores. Os processos de avaliação do Mecanismo Único de Supervisão (liderados pelo BCE – que é o supervisor directo do BCP) passam uma análise por vários indicadores, designadamente conflitos de interesse, disponibilidade, existência de competências e idoneidade.

Reformado do Banco de Portugal, Norberto Rosa estava como consultor do conselho de administração do Banco de Portugal, sendo que, entre 2015 e 2018, foi o administrador da sociedade gestora dos fundos de pensões do supervisor. Foi secretário de Estado do Orçamento de Manuela Ferreira Leite e de Eduardo Catroga. De 2004 a 2013, a sua vida foi na administração da CGD, integrando as equipas lideradas por Vítor Martins, Carlos Santos Ferreira, Faria de Oliveira e José de Matos. Todo o período foi alvo de auditoria promovida pelo Governo e está também sob investigação do Ministério Público.   



(Notícia actualizada às 18:07 com mais informações; corrigida às 20:47: Norberto Rosa não integrou a equipa de Mira Amaral, mas sim de Vítor Martins)

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