Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Queixa-se que os depósitos não pagam juros? Na Alemanha, já há bancos a cobrar

O Raiffeisen Gmund am Tegernsee é um banco da Baviera alemã que, a partir de 1 de Setembro, vai cobrar uma taxa de 0,4% aos depósitos de particulares acima de 100 mil euros. É o segundo.

Reuters
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 12 de Agosto de 2016 às 10:01
  • Assine já 1€/1 mês
  • 31
  • ...

Imagine-se na Baviera. Cinquenta quilómetros abaixo de Munique, ali bem perto da fronteira com a Áustria. Não é rico mas tem algum dinheiro. Além de parte de uma floresta, ali perto do lago Tegernsee, tem dinheiro disperso por vários bancos. Um deles chama-se Raiffeisen Gmund am Tegernsee. A sua conta, neste banco mutualista, ascende a 400 mil euros. Fique a saber que vai ter de pagar para deixar lá o dinheiro.

 

O banco mutualista (uma cooperativa, na prática) é uma instituição financeira de pequena dimensão numa pequena cidade que foi notícia no Financial Times e na Bloomberg: a partir de 1 de Setembro, vai começar a cobrar uma "taxa de custódia" de 0,4% sobre os depósitos acima de 100 mil euros. Há 140 clientes visados com um total de 40 milhões de euros em depósitos. Culpado? Mario Draghi.

 

O Banco Central Europeu impôs uma taxa de depósitos de -0,4%, o dinheiro que cobra aos bancos que queiram ter dinheiro estacionado em Frankfurt. Ou seja, os bancos não têm uma remuneração por colocar o dinheiro no BCE. Em vez disso, pagam pela segurança de ter ali o dinheiro parqueado (o objectivo da autoridade monetária é obrigar a que os bancos coloquem no sistema, dando crédito às empresas e famílias).

 

Se o Raiffeisen Gmund am Tegernsee tem de pagar para ter dinheiro no BCE, também quem tem aí o seu dinheiro vai ter de desembolsar. "Se os nossos clientes institucionais já têm uma taxa negativa há algum tempo, por que não fazemos o mesmo aos nossos clientes particulares com grandes contas?". A pergunta foi deixada à agência de informação financeira Bloomberg pelo administrador Josef Paul. "Estamos apenas a passar os custos que o BCE nos colocou", havia dito antes ao FT. Os custos impostos ao sector financeiro - muitos estrangulados pela queda da margem financeira, sem forma de captar poupanças e sem capacidade para cobrar taxas elevadas nos créditos - chegaram às famílias.

 

Há, para já, uma garantia por parte de Josef Paul: os titulares de contas abaixo de 100 mil euros não vão ter uma remuneração negativa. Dos 140 visados, explicou, alguns já reagiram – mudaram o dinheiro para outros bancos ou para outros activos.

 

Não é novo que os bancos já cobram taxas aos clientes institucionais, como outros bancos e grandes empresas. Mas estes dois bancos são o exemplo da chegada desta taxa ao retalho, a clientes particulares. O Financial Times lembra que em 2014, já com Mario Draghi a cortar nas remunerações dos depósitos no BCE, o Deutsche Skatbank (este mais perto de Dresden e da fronteira com a República Checa) decidiu começar a cobrar aos maiores clientes particulares, com contas acima de 500 mil euros.

 

Segundo a Bloomberg, que cita um comunicado oficial do presidente da associação germânica de bancos Michael Kemmer, não se espera um movimento à escala nacional de taxas negativas nos depósitos das famílias: "a concorrência entre os bancos e as caixas de poupanças na Alemanha é demasiado forte". "Cada banco é que decide se e como cobra por depósitos". 

Ver comentários
Saber mais Alemanha Munique Raiffeisen Gmund Mario Draghi Banco Central Europeu BCE
Mais lidas
Outras Notícias