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Sucessor de Sobrinho encontrou BESA em "situação muito difícil"

Rui Guerra chegou ao BES Angola em Janeiro de 2013 mas só mais de meio ano depois conseguiu perceber efectivamente o que estava em causa na carteira de crédito da instituição.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 10 de Fevereiro de 2015 às 16:18
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O BES Angola tem sido visto como uma das questões-chave do caso do banco desaparecido, já que o BES tinha uma linha de financiamento superior a 3 mil milhões de euros. Rui Guerra trouxe para a comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES uma ideia já anteriormente transmitida: o BESA, onde o BES tinha 55,7% do capital, estava com uma situação financeira delicada em 2013.

 

"Encontrámos o banco em situação muito difícil e que, seguramente, não antecipávamos", confessou Rui Guerra aos deputados no inquérito parlamentar. Rui Guerra entrou para o BESA em Janeiro de 2013, meses depois de ter sido convidado para o cargo, sucedendo a Álvaro Sobrinho na presidência executiva (que ficou enquanto presidente do conselho de administração). Na sua audição, Ricardo Salgado já tinha dito que a situação encontrada no BESA naquela altura "era pavorosa e que ultrapassa tudo e todos".

 

Aí, Rui Guerra percebeu que era necessário "assegurar a sustentabilidade financeira do banco", depois de se detectar os problemas. Guerra foi convidado para liderar o BESA para promover uma reviravolta àquela instituição financeira.

 

No entanto, Guerra afirmou aos deputados que o trabalho de diagnóstico do que se passava no banco foi demorado: "Só entre Junho de 2013 e final do ano [mais de seis meses depois da entrada em funções], foi possível realizar a inventariação, a análise documental e de risco da carteira de crédito do BESA de forma extensiva, o que se afigurava essencial para a compreensão definitiva da situação do banco".

 

O BESA acabou por apresentar uma situação financeira frágil, com vários milhares de milhões de dólares em créditos a que se perderam rasto num total de 5,7 mil milhões de dólares – o que levou o Estado angolano a passar uma garantia estatal que cobria 70% de crédito. Isto num contexto em que o BES tinha uma linha de exposição de mais de 3 mil milhões de euros ao banco angolano. A garantia foi revogada após a resolução do BES e, depois disso, o BESA foi intervencionado – deixando o Novo Banco (herdeiro do BES) de ter uma relação accionista com a instituição financeira. 

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