Ulrich: "Se o Caixabank vier a controlar o BPI vamos ver o bigode que vamos dar à Caixa"
Fernando Ulrich falou pouco sobre a OPA, mas deixou os elogios a quem a lançou, o seu accionista Caixabank. E serviu-se do exemplo do banco espanhol para lançar farpas à Caixa Geral de Depósitos, representada no auditório da Conferência do Negócios por Nuno Fernandes Thomaz.
Mostrando uma página do Financial Times, que fazia uma análise ao Caixabank, accionista do BPI a quem lançou uma OPA para o controlar, Fernando Ulrich virou-se para a plateia da conferência do Negócios, para uma pessoa em particular. Nuno Fernandes Thomaz, administrador da Caixa Geral de Depósitos, ouviu Ulrich dirigir-se ao banco público: "copiem pela vossa rica saúde o modelo do La Caixa", grupo cotado, que gasta 500 milhões de euros em obra social, "são não sei quantas Gulbenkian".
E cá, continuou o presidente do Banco BPI, "vemos a Caixa na PT". E deixou a questão: "porque somos tão tacanhos em dizer que na Caixa ninguém toca?".
Com o elogio ao Caixabank deixou o desafio. "Se o La Caixa vier a controlar o BPI, vamos ver o bigode que vamos dar à CGD e à Culturgest".
Não se estendeu sobre a OPA, dizendo apenas que o Caixabank "é parceiro do BPI há 20 anos e amigo do BPI há vinte anos", e o próprio Ulrich não estaria no cargo "sem o apoio" do accionista espanhol. Quanto à OPA, "cabe ao mercado decidir".
O Conselho de Administração do BPI não recomendou aos accionistas do banco que aceitem a OPA lançada a 17 de Fevereiro pelo CaixaBank, por considerar que não reflecte o valor do BPI.
O banco espanhol, que já controla 44,1% do banco liderado por Fernando Ulrich, ofereceu 1,329 euros por cada acção do BPI.