Dona da Primark tomba até 12% em bolsa após "profit warning"

Vendas da cadeia de moda de baixo custo ficaram abaixo das expectativas na época alta do Natal. Na Europa Continental, ou seja, excluindo Reino Unido e Irlanda, registaram mesmo uma queda de 5,7% em termos comparáveis.
Primark teve uma campanha de Natal complicada.
Paulo Duarte
Diana do Mar 08 de Janeiro de 2026 às 10:53

As ações da Associated British Foods (AB Foods), dona da Primark, estavam a afundar até 12% esta quinta-feira, na Bolsa de Londres, depois de o grupo ter emitido um "profit warning", advertindo que os resultados no atual exercício fiscal serão piores do que o esperado, devido à forte desaceleração nas vendas da cadeia de moda de baixo custo e ao desempenho misto do seu negócio alimentar.

"A Primark teve um início de ano fiscal desafiante, com um desempenho misto. No Reino Unido, as ações focadas e investimentos para fortalecer a nossa proposta de valor para o cliente impulsionaram a melhoria das vendas e o ganho de quota de mercado, enquanto as vendas permaneceram fracas na Europa continental", explica o CEO da AB Foods, George Weston, numa sobre o desempenho comercial das 16 semanas terminadas a 3 de janeiro, que incluíram a época alta do Natal, e as perspetivas para o exercício fiscal de 2026, que termina em setembro.

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Em concreto, na Europa Continental, que respondeu por 49% da faturação, a cadeia de moda "low cost" teve uma queda nas vendas comparáveis (Like-For-Like) de 5,7% na Europa continental. Já no Reino Unido e na Irlanda (45%) as vendas tiveram um aumento modesto de 1,1%. Em termos globais, as vendas da Primark baixaram 2,7%.

"No geral, o crescimento das vendas da Primark no período ficou abaixo das nossas expectativas anteriores e esperamos agora que o crescimento das vendas da Primark no primeiro semestre de 2026 seja de um dígito baixo. Num ambiente comercial difícil, aumentámos significativamente os descontos para gerir os níveis de 'stock' de forma eficaz, o que impactou a rentabilidade", explica o grupo que tem como maior acionista (59%), a Wittington Investments, da família Weston.

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No comunicado, a AB Foods adianta que tem "um vasto leque de iniciativas em curso e planeadas para os próximos meses" com as quais espera impulsionar a melhoria das vendas e da rentabilidade, particularmente na Europa.

As estimativas apontam para uma subida global das vendas da cadeia de moda irlandesa de 1% em 2026, mas para uma descida em igual medida na Europa Continental.

E fica novo aviso à navegação: "No entanto, se as tendências atuais de vendas da Primark continuarem no segundo semestre, esperamos que a margem de lucro operacional ajustada para o ano completo seja de aproximadamente 10%, semelhante ao primeiro semestre, à medida que continuamos a investir no crescimento".

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A AB Foods vai divulgar as vendas finais por segmento de negócio referente ao período das 16 semanas até 3 de janeiro no próximo dia 22.

A Primark tem mais de 470 lojas em duas dezenas de países, incluindo 14 em Portugal, empregando um universo de aproximadamente 2.200 trabalhadores. 

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