Lucros da Jerónimo Martins caem 6,8% para 119 milhões de euros até março
Grupo liderado por Pedro Soares dos Santos subiu vendas em 6,3% para 8,9 mil milhões de euros num contexto de prudência dos consumidores. Subida dos preços dos combustíveis e escalada dos fertilizantes "preocupa".
A Jerónimo Martins fechou os primeiros três meses com lucros de 119 milhões de euros, uma descida de 6,8% face ao período homólogo do ano passado.
Em comunicado enviado esta quarta-feira à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o grupo atribui a queda do resultado líquido "aos efeitos, no trimestre, dos juros e das diferenças cambiais apurados com a capitalização das rendas".
As vendas cresceram 6,3% para 8,9 mil milhões de euros entre janeiro e março. Em termos LFL [Like-For-Like, indicador de vendas comparáveis] o aumento foi de 3,1%.
Já o EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) aumentou 8,4%, para 572 milhões de euros, com a respetiva margem a subir para 6,4% (contra 6,3% no primeiro trimestre de 2025).
"No início de 2026, o rápido agravamento do contexto geopolítico aumentou ainda mais os níveis de incerteza, com impacto no comportamento dos consumidores", os quais se "mantiveram prudentes relativamente ao consumo alimentar, continuando a privilegiar preços baixos e promoções", diz o presidente e CEO da Jerónimo Martins, na mensagem que acompanha os resultados.
E as perspetivas não são animadoras. "A escalada do conflito no Médio Oriente refletiu-se na volatilidade do preço do petróleo, com efeitos imediatos e substanciais no preço dos combustíveis e, talvez ainda mais preocupante, na acentuada subida do preço dos fertilizantes, introduzindo pressão acrescida nos custos do próximo ciclo de produção alimentar que agora se inicia", diz Pedro Soares dos Santos.
Ainda assim, "apesar da exigência do contexto, as insígnias do grupo registaram um forte primeiro trimestre, com sólido crescimento de vendas e de EBITDA", assinala o "número 1" do grupo.
Como reconhece o grupo, houve também um factor que jogou a favor: "a antecipação, em relação a 2025, da época de Páscoa que, em 2026, foi no início de abril, beneficiando, por isso e em certa medida, as vendas de março".
Presidente e CEO da Jerónimo Martins
Olhando por mercados, na Polónia, o maior, onde o grupo se viu a braços com o "desafio" de a principal insígnia ter arrancado o ano a operar com deflação no cabaz e num contexto de intensa concorrência, a Biedronka viu as vendas subirem 3,6% para 6,2 mil milhões de euros. Em termos LFL, o aumento foi de 2,3%. A marca da "joaninha" respondeu assim por 69,2% das receitas totais entre janeiro e março.
Já a compatriota Hebe teve uma subida da faturação de 1,6% para 148 milhões de euros.
Em Portugal, que nem responde por um quinto das receitas (18%), o Pingo Doce aumentou as vendas em 7,5% para 1,3 mil milhões de euros, com um LFL de 5,7% (excluindo combustível), beneficiando igualmente da "relativa antecipação da época da Páscoa" (foi a 5 de abril em 2026 e a 20 de abril em 2025).
A cadeia de "cash & carry" Recheio, por seu turno, teve uma faturação de 312 milhões de euros no primeiro trimestre, 3,3% acima do primeiro trimestre do ano passado, com um LFL de 2,7%.
Por fim, a Ara, na Colômbia, subiu vendas em 23,6% para 959 milhões de euros entre janeiro e março.
O programa de investimento atingiu um valor executado no trimestre de 208 milhões de euros de um "envelope" de cerca de 1,2 mil milhões previsto para o exercício de 2026.