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Câmara vai vender acções das SAD do S.C.Braga e do ABC e assumir os prejuízos

A Câmara de Braga decidiu vender as participações que tem nas Sociedades Anónimas Desportivas (SAD) do S.C. Braga e do ABC Andebol por razões "legais e estratégicas", assumindo "todos os prejuízos" decorrentes daquelas alienações.

Paulo Duarte
19 de Setembro de 2016 às 23:07

Em declarações à agência Lusa, o presidente da autarquia, Ricardo Rio (PSD/CDS-PP/PPM), explicou que as acções que a autarquia tem da SAD do S.C Braga, 200 mil unidades, serão vendidas a um euro, valor acima do cotado em bolsa, mas "substancialmente abaixo" do valor pelo qual foram adquiridas à data da constituição daquela SAD, cinco euros, enquanto os 40% da participação no ABC Andebol (20 mil acções) serão vendidos em hasta pública.

A alienação das participações nas SAD dos dois clubes bracarenses foi, esta noite, aprovada pelo executivo, em reunião camarária, com os votos favoráveis da CDU e o voto contra do PS, mas, no caso da SAD do S.C. Braga, a oposição sugeriu que seja estudada a hipótese de doar aquelas acções ao clube para "assegurar a componente estratégica e de ligação à comunidade" que a colectividade desempenha actualmente.

"Esta decisão tem uma dimensão legal e uma estratégica. A legal veio acelerar o processo na medida em que, a partir do momento em que se alterou a lei das participações dos municípios em empresas e instituições, nós estávamos confrontados com a necessidade de ajustar estatutariamente aquelas empresas ou partir para o processo de alienação, obrigação que só estamos a cumprir agora", referiu.

O dirigente prosseguiu: "A segunda dimensão é estratégica e política, porque na nossa óptica consideramos que a câmara municipal não deve ser accionista de SAD. Devemos ter uma relação de colaboração contínua com os clubes e as suas SAD, mas sob outra forma que não a participação accionista."

Explicações que satisfizeram o vereador da CDU, Carlos Almeida, que afirmou ser "a favor da visão que defende que a autarquia não deve ter participação em SAD", mas, alertou Carlos Almeida, "alguns pontos, como a componente estratégica de ligação à comunidade que o Braga tem, devem ser acautelados".

"Achamos que deve ser estudada a hipótese de doar ao clube a participação da autarquia, mas também defendemos que, caso essa doação seja feita, devem ser revistos os apoios dados de forma a não ser sempre a autarquia a arrecadar com todos os custos", sugeriu o vereador comunista.

Quanto a valores, Rio explicou que o preço de venda das acções da SAD do S.C. de Braga será de um euro por acção: "Valor acima do praticado em bolsa [as acções do S.C Braga estão a ser negociadas em bolsa por 0,80 euros], mas substancialmente abaixo do valor pelo qual foram compradas pelo executivo da altura [liderado pelo socialista Mesquita Machado]."

"A câmara assume um prejuízo com isto", admitiu o autarca, prejuízo esse que rondará os 800 mil euros. A Lusa tentou obter uma reacção do S.C. de Braga, que, "para já", optou por não se pronunciar.

Já no que concerne o ABC Andebol, em cuja SAD a autarquia tem uma participação de 20 mil acções [40% do respectivo capital social], a alienação daquele activo será feita em hasta pública.

O presidente do ABC, João Luís Nogueira, explicou à agência Lusa que o capital social da SAD do ABC é de 250 mil euros e que as 20 mil acções que a autarquia adquiriu, e que representam 40% desse capital social, custaram 100 mil euros aos cofres camarários (e não 500 mil como divulgou a autarquia).

"A CMB nunca usou o poder que tinha na SAD, pelo que até pode ser positivo se aparecer um investidor que adquira esses 40%, estou disponível para repartir o poder e esta até é uma boa altura em termos de visibilidade pela participação do ABC na Liga dos Campeões de andebol", disse.

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