FIFA reconhece compra de votos na atribuição do Mundial da África do Sul
O organismo que tutela o futebol mundial está a tentar reaver "dezenas de milhões de dólares" junto de ex-dirigentes da FIFA que estão acusados da prática de corrupção.
A FIFA processou, esta quarta-feira, 16 de Março, três antigos dirigentes do organismo responsável pela gestão do futebol mundial, Chuck Blazer, Jack Warner e Jeffrey Webb, com o objectivo de recuperar "dezenas de milhões de dólares".
Num documento divulgado pela FIFA e citado pela BBC, o recém-eleito presidente do organismo, Gianni Infantino, descreve a organização como uma "instituição vitimizada" e acusa os antigos responsáveis de terem "abusado" das suas posições.
"Eles provocaram sérios e duradouros danos à FIFA, às suas associações e à comunidade futebolística", acrescente o ítalo-suíço que assumiu recentemente a condução dos destinos de um organismo cuja imagem está envolta em polémica, especialmente depois de em Maio do ano passado ter rebentado o escândalo, relacionado com as práticas de corrupção no seio da instituição, na sequência da detenção de 14 dirigentes e ex-dirigentes indiciados pelos crimes de extorsão, constituição de redes fraudulentas e lavagem de dinheiro.
"O dinheiro que eles embolsaram pertencia ao futebol global e era destinado ao desenvolvimento e promoção do jogo", acrescenta ainda Infantino, que se diz "determinado em reaver" o dinheiro que pertence à FIFA, "independentemente do tempo que tal possa demorar".
Na queixa hoje entregue às autoridades judiciárias dos Estados Unidos, a FIFA reconhece que foram comprados votos aquando da atribuição do Mundial de 2010, realizado na África do Sul, referindo-se mesmo a um pagamento de 10 milhões de dólares que terá sido feito pela Federação daquele país ao então vice-presidente da instituição, Jack Warner.
Depois de ter assumido a presidência da FIFA sob o pressuposto de "limpar" a imagem da instituição, Infantino promete agora que assim que aquele dinheiro seja recuperado, será posteriormente investido naquele que era o objectivo inicial e que passa pelo apoio ao desenvolvimento do futebol internacional. "Este dinheiro destinava-se à construção de campos de futebol, e não mansões nem piscinas; para comprar equipamentos de futebol e não jóias nem carros (...)", disse Gianni Infantino.
Entre os vários responsáveis e entidades indiciados no decurso de uma investigação judicial iniciada nos Estados Unidos, mas a que se juntaram também as autoridades suíças, está Joseph Blatter, ex-presidente do organismo que é também suspeito de práticas de corrupção. Para já, enquanto segue o curso normal dos processos judiciais, Sepp Blatter está banido do dirigismo desportivo por um período de seis anos, isto depois de a pena inicialmente aplicada de oito anos ter sido reduzida pelo Comité de Apelo da FIFA.