Desporto Soares de Oliveira: "Necessidade de vender jogadores vai diminuir"

Soares de Oliveira: "Necessidade de vender jogadores vai diminuir"

Benfica continua a ter de vender jogadores para aumentar as receitas e não deixar cavar o fosso para os principais clubes europeus. Mas a melhoria da situação financeira vai, com o tempo, reduzir parcialmente essa obrigação de transferir atletas.
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Tiago Freire
Tiago Freire 03 de abril de 2017 às 22:00

O Benfica vai lançar nos próximos dias mais uma emissão obrigacionista. Ocasião para o administrador financeiro da SAD fazer um balanço da situação das águias.

O destino da emissão é substituir dívida bancária. Chegará uma altura em que o crédito bancário será residual?

Não sei se será residual. Esta terceira emissão - em paralelo com outras duas que estão em vigor - é a última que faremos no sentido do portefólio de produtos obrigacionistas. Isso vai levar-nos para um valor próximo dos 150 milhões de euros em emissões, vivas e reembolsáveis em tranches quase iguais todos os anos. Temos um propósito de conseguir, em paralelo com estas emissões, reduzir a dívida. Significa que do lado dos produtos bancários eles vão ter uma redução, não apenas por esta emissão mas também pelos reembolsos que temos feito. No primeiro semestre reembolsámos cerca de 13 milhões, sem qualquer novo obrigacionista, isso vamos manter. Mas é importante que uma entidade como a Benfica SAD tenha um ou dois parceiros fortes em termos nacionais para operações pontuais. Não creio que cheguemos a uma situação em que não teremos empréstimos junto da banca, teremos algumas operações mas com um peso cada vez menor no nosso total de financiamento.

Na hora de ir pedir crédito à banca, as dificuldades vêm mais do preço ou da flexibilidade para dar crédito?

Tem a ver com as duas coisas. A banca portuguesa tem atravessado dificuldades  grandes e tem havido mudanças significativas. Há uma grande dificuldade por parte dos banqueiros portugueses numa tomada de decisão para um sector que é muito diferente dos sectores tradicionais. Houve uma altura em que o crédito era fácil, hoje é mais difícil, quer em termos de ‘pricing’ quer sobretudo em termos de capacidade de decisão. Acredito que a banca portuguesa vai estabilizar nos próximos anos, teremos maior estabilidade e nessa altura voltaremos a uma relação aberta, de confiança, como tivemos no passado. 

O Benfica já saiu das competições europeias e, sem vendas de jogadores, o ano está mais ou menos feito em termos de receitas. Como foi a época?

No primeiro semestre, as receitas sem vendas de jogadores subiram 7%. Aqui estamos a falar apenas de competições europeias, onde tivemos uma performance muito similar à do primeiro semestre da época anterior. E um crescimento relacionado com direitos televisivos. Há uma ou outra rubrica que se reduziu, por exemplo os cachês, porque não fomos este ano aos EUA e ao México. Depois todas a rubricas - patrocínios, direitos televisivos, bilhética - cresceram. No segundo semestre o que é que não terá um impacto tão positivo? Essencialmente as competições europeias, este ano fomos eliminados uma fase mais cedo que no ano passado, nos oitavos-de-final da Champions. Mas mantendo-se o ritmo de crescimento em todas as outras componentes acredito que, sem venda de jogadores, o ano será superior. Por outro lado já tivemos duas vendas em Janeiro - o Gonçalo Guedes e o Hélder Costa -, portanto com alguma transacção adicional que possa ocorrer até final de Junho existem todas as condições para superar a receita do ano passado.  

O Benfica vende jogadores porque tem de vender ou porque, estrategicamente, acha que deve vender?

Nós entendemos quase há uma década que as receitas que conseguimos gerar em termos de bilhética, patrocínios e direitos televisivos, não são suficientes para continuarmos a competir com os nossos grandes rivais europeus. Porque esses mercados potenciam as receitas de uma maneira completamente diferente da nossa, nomeadamente direitos televisivos. Entendemos que o ‘trading’ de jogadores era o quarto componente do ponto de vista do crescimento de receitas. Introduzimos essa componente há vários anos e nos últimos três/quatro anos temos sido muito consistentes a gerar cerca de 70/80 milhões de euros em receitas de vendas de jogadores. Esse não é um objectivo de per si. Isso é uma necessidade para podermos continuar a crescer em termos de receitas, porque isso é o que nos permite contratar o melhor talento, e no final do dia os resultados são alcançados com talento. Agora, se o peso dos encargos financeiros continuar a reduzir-se como até agora, se conseguirmos continuar a controlar a componente salarial, acredito que essa necessidade que temos hoje de venda de jogadores, à medida que o tempo for avançando, vai sendo reduzida. Nunca é de excluir a venda de jogadores, acho é que a necessidade que tivemos até agora é uma necessidade que à medida que o tempo for avançando vai ser cada vez mais reduzida.

Em termos financeiros, qual é afinal o impacto de ser ou não ser campeão de futebol?

Quando somos campeões aquilo que sentimos é que há um incremento significativo a nível de bilhética, nos jogos na recta final das épocas que começam a estar todos esgotados.  O segundo aspecto é que nos contratos com quase todos os nossos patrocinadores existe uma componente variável que depende da performance desportiva. Aí teremos também um ligeiro incremento de receita. Agora, elas são balanceadas porque também os nossos jogadores e a nossa equipa técnica são premiados em função do resultado desportivo. Diria que em termos médios provavelmente aquilo que ganhamos de um lado pagamos do outro. Não era mau sinal porque no fundo o nosso propósito final é ganhar campeonatos. 




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