Administradores do BCP trocam acusações de deslealdade e ameaçam-se por carta
"Basta!", "gravidade da situação", "ocupação selvagem", "conduta profissional" em causa, "golpe de Estado". São termos utilizados em correspondência entre administradores do BCP, hoje revelada pelo "Expresso", que conclui: "O próprio Conselho de Administr
O "Expresso" revela vários pormenores das cartas trocadas, que confirmam a cisão no Conselho de Administração, entre cinco administradores pró-Jardim e os outros três, que incluem o presidente executivo Paulo Teixeira Pinto. Exemplos:
24 de Junho, 20:56. O administrador Alexandre Bastos Gomes envia uma mensagem de correio electrónico a Paulo Teixeira Pinto, assinada também por Filipe Pinhal, de Beck, António Rodrigues e Alípio Dias. Os cinco administradores assumem-se como "uma maioria" no Conselho de Administração e criticam a intenção de Teixeira Pinto vender 49,9% do Millennium Angola à Sonangol, que dizem ter sido tomada colocando-os à margem. Acusam Teixeira Pinto de "conduta incorrecta e desleal".
29 de Junho, Teixeira Pinto responde por carta, dizendo que a decisão final para a Sonangol não está tomada mas acusa os outros cinco administradores de estarem a formar "pactos de votos", o que considera "um inaceitável e perigoso precedente", afirmando ademais que sobre a sua pessoa não tolera equívocos: "De tal acusação extrairei as necessárias consequências", ameaça.
Mais pormenores revela hoje o "Expresso". Francisco Lacerda fala de "repúdio", Castro Henriques desafia "os cinco" a assumirem as responsabilidades pelas acusações proferidas.