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Anúncio de emprego oferece lugar de primeiro-ministro em Espanha

Iniciativa insólita nas páginas do jornal El País foi levada a cabo pela associação de produtores do sector fotovoltaico. Quiseram chamar a atenção para o excesso de alterações no enquadramento regulatório da actividade.

Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 26 de Janeiro de 2016 às 20:30
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"Máxima responsabilidade na gestão de uma equipa formada por 46.500.000 de pessoas, repartidas por 17 comunidades autónomas e duas cidades autónomas, que têm a intenção de manter os seus progressos democráticos e defender o Estado de Bem-Estar".

É desta forma que começa o anúncio de oferta de emprego, publicado esta terça-feira no jornal El País, que tem apenas uma vaga disponível: a de presidente do Governo espanhol, congénere do primeiro-ministro português.

Cansada do que diz ser o excesso de alterações ao quadro regulamentar das renováveis e aproveitando a indefinição em torno da formação do próximo Governo no país vizinho, a Associação Nacional de Produtores de Energia Fotovoltaica espanhola (Anpier) pagou um anúncio de página inteira naquele jornal a oferecer emprego.

A "empresa" que pretende contratar chama-se Espanha e os requisitos apontam para "uma pessoa honesta, responsável", que seja "capaz de gerir um modelo de Estado sobre consensos". As funções são "remuneradas" (75 mil euros por ano), e o escolhido beneficiará de imunidade, além de casa, carro pessoal e segurança.

Mas há alguns "senãos" muito específicos – e que pretendem proteger a posição das empresas do sector fotovoltaico. Candidatos que sejam capazes de "arruinar" as 62 mil famílias que investiram as suas poupanças na produção e desenvolvimento desta energia, que pretendam "perpetuar tecnologias energéticas tóxicas e/ou perigosas" ou os que façam "falsas acusações" ao sector das renováveis ficam desde logo excluídos.


À rádio Cadena Ser, Juan Castro Gil, secretário da Anpier, disse que ainda não recebeu nenhum currículo e que ninguém parece querer chegar-se à frente: "O nosso anúncio tem requisitos, são de senso comum, mas acredito que alguém acabará por enviar o currículo".


"É uma chamada de atenção para a sensatez, estabilidade, para a segurança jurídica do país", defendeu o responsável, argumentando que nos últimos cinco anos o enquadramento jurídico do sector fotovoltaico já por nove vezes foi mudado. "Espanha é líder em procedimentos nacionais e estrangeiros contra a segurança jurídica na energia. Não se concebe!", lamenta. "A nossa pretensão não é política, é de senso comum. Gostaríamos que o partido que está a governar nestes anos reconsiderasse a sua atitude. Não parece fácil", conclui.


Há mais de um mês que, depois do resultado inconclusivo das eleições gerais de 20 de Dezembro, Espanha continua sem novo Governo.


Na semana passada, o actual chefe de Governo e vencedor das últimas eleições – Mariano Rajoy, presidente do Partido Popular (PP) – recusou o convite do Rei para assumir a investidura e levar o seu Executivo a votos ao Congresso, com chumbo garantido pelos votos do PSOE e do Podemos.


Já os socialistas aguardavam que o PP se apresentasse ao Parlamento para chumbar a proposta de Rajoy, assumindo depois o ónus de formar um Governo baseado no diálogo com outras forças políticas (incluindo os radicais de esquerda Podemos) e com um projecto "alternativo" ao dos Populares.


O Rei Filipe VI deverá iniciar na próxima semana nova ronda de contactos com os partidos políticos para tentar desbloquear esta situação.


A Anpier reivindica para si o estatuto de "associação mais representativa do sector fotovoltaico espanhol", com mais de cinco mil associados. Uma das prioridades da associação é a "defesa da estabilidade regulatória e da segurança jurídica do sector".

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