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Rajoy diz não ter condições para formar Governo, mas não desiste da candidatura (act.)

O até aqui presidente do Executivo espanhol recusou formar Governo perante o Parlamento, mas garantiu que mantém a sua candidatura. As audiências com partidos são reiniciadas na quarta-feira.

Reuters
Paulo Zacarias Gomes paulozgomes@negocios.pt 22 de Janeiro de 2016 às 19:13
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Mariano Rajoy, líder do Partido Popular espanhol, recusou esta sexta-feira formar Governo. "Agradeci o gesto [do rei], mas disse que neste momento não estou em condições de me apresentar. Não apenas não tenho uma maioria de votos, tenho uma maioria absoluta contra mim, 180 deputados contra", justificou.

No entanto, referiu que mantém a sua candidatura apesar de não ter os apoios para se submeter à investidura num primeiro momento. "Não renuncio a nada. Não disse não à minha investidura numa primeira votação. Disse que de momento não temos apoios. Devemos dar tempo ao diálogo", defendeu.  O argumento do líder popular é de que estarão em curso negociações para um acordo de Governo que colhe mais votos do que a sua solução. 


"Não faria sentido que fizesse o meu debate de investidura quando outros estão já a negociar a partilha de um Governo", afirmou, numa referência implícita às declarações desta sexta-feira do líder do partido Podemos. À saída da sua audiência com o rei no Palácio da Zarzuela, Pablo Iglesias disse ter-se disponibilizado perante o monarca para, como número dois do Executivo, governar ao lado do PSOE e da Izquierda Unida.

Os próprios socialistas reagiram com "surpresa" e "estupefacção" à ideia de Iglesias, argumentando que desconheciam a proposta. "Fui informado pelo rei sobre a proposta de Iglesias. Entrei sem governo e parece que já tenho todos os ministros nomeados", ironizou mais tarde Pedro Sánchez, o líder dos socialistas do PSOE, à saída da audiência com Filipe VI.


A recusa de Rajoy desencadeia o início de contagem de prazos previstos na lei. O rei inicia na quarta-feira uma nova ronda de consultas. Se, no prazo de dois meses a partir do momento em que um Executivo seja rejeitado no Parlamento, não for encontrada solução governativa, o monarca dissolve o parlamento a pedido do Congresso e são convocadas novas eleições.


Filipe VI concluiu esta sexta-feira as audiências aos partidos políticos, recebendo os líderes do Podemos, PSOE e PP. As reuniões tiveram como pano de fundo os resultados das eleições de 20 de Dezembro que deram a vitória ao PP mas sem maioria que lhe permitisse governar sozinho.


O cenário de Rajoy não conseguir formar governo tinha sido antecipado pelo PSOE, que garantiu que responderá à responsabilidade de articular um governo. E para isso elencou oito pactos de regime que passam pela recuperação económica, educação, saúde e bem-estar, pensões, vida política do país, combate à violência de género, construção europeia e reforma constitucional.

"Temos de ser cuidadosos com os tempos, na democracia não há atalhos", defendeu Sánchez. Mas reconheceu também que "os eleitores do Podemos e do PSOE não perceberiam que nós não nos entendessemos".


(Notícia actualizada às 19:33 com declarações de Mariano Rajoy; notícia corrigida às 16:18 de dia 1 de Fevereiro, com alteração dos trâmites que se seguem a um possível chumbo do Governo no Parlamento)

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