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Apple processa grupo israelita NSO no seguimento do escândalo Pegasus

A NSO foi exposta este verão depois de uma investigação ter revelado que o seu programa Pegasus permitiu a espionagem de jornalistas, políticos, militantes e empresários de diferentes países.

A Apple lucrou 55 mil milhões em 2016, mas grande parte foi imputada a subsidiárias em offshores.
Lucas Jackson/Reuters
Lusa 24 de Novembro de 2021 às 08:08
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A Apple apresentou uma queixa contra a NSO Group, a empresa israelita que fabrica o programa informático de espionagem Pegasus.

O grupo tecnológico norte-americano pretende que o tribunal impeça definitivamente a NSO de instalar os seus programas nos aparelhos e serviços que disponibiliza.

A NSO foi exposta este verão depois de uma investigação, realizada por um consórcio de 17 meios de comunicação de vários países, ter revelado que o Pegasus permitiu a espionagem de jornalistas, políticos, militantes e empresários de diferentes países, incluindo o presidente francês, Emmanuel Macron.

"No mercado de eletrónica para o grande público, os aparelhos da Apple são os mais seguros, mas as empresas que desenvolvem programas informáticos para a espionagem por conta de Estados tornaram-se mais perigosos", declarou o vice-presidente do grupo californiano com o pelouro dos programas informáticos, Craig Federighi, citado em comunicado.

"Mesmo que estas ameaças à segurança informática afetem apenas um pequeno número dos nossos clientes, levamos a sério todos os ataques contra os nossos utilizadores", acrescentou.

Em setembro, a Apple teve de reparar, com caráter de urgência, uma falha informática que o Pegasus foi capaz de explorar para infetar os iPhone, sem necessitar que os utilizadores tivessem de clicar em ligações ou botões armadilhados, que é a técnica usada habitualmente.

Segundo os investigadores do Citizen Lab, que repararam o problema, o programa informático espião aproveitava-se daquela falha desde, pelo menos, fevereiro de 2021.

Esta organização de segurança informática da Universidade de Toronto tinha descoberto que o iPhone de um militante saudita tinha sido infetado através do iMessage, o serviço de mensagens da Apple.

No início de novembro, Washington acrescentou a NSO Group à sua 'lista negra' de empresas.

"Os EUA estão determinados a utilizar de maneira incisiva o controlo das exportações para responsabilizar as empresas que desenvolvem, comercializam ou utilizam tecnologias para fins malfazejos, que ameaçam a segurança informática dos membros da sociedade civil ou do governo, dos dissidentes e de organizações baseadas no estrangeiro", tinha afirmado a secretária do Comércio, Gina Raimondo.

O grupo israelita declarou-se "consternado" por esta decisão, que desejava ver adiada, segundo um porta-voz desta empresa, baseada em Telavive, acrescentando que o NSO tem uma carta ética "rigorosa, baseada nos valores (norte-)americanos".

Mas Craig Federighi afirmou que "os grupos financiados por Estados, como o NSO Group, gastam milhões de dólares para conceber tecnologias sofisticadas de vigilância, sem terem de responder pelas consequências. Isso deve mudar".

O NSO group não respondeu a um pedido de reação feito pela AFP.
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