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Barragem moçambicana de Cahora Bassa com lucros de 95,5 milhões de euros apesar de ano de seca

A HCB é uma sociedade anónima de direito privado, detida em 85% pela estatal Companhia Elétrica do Zambeze e em 7,5% pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN).

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16:39

A Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), no centro de Moçambique e das maiores barragens africanas, registou lucros de 95,5 milhões de euros em 2025, apesar de ter enfrentado "uma das secas mais severas" na região, foi anunciado este domingo.

De acordo com informação da HCB enviada à Lusa, os dados constam das contas de empresa, aprovadas em 30 de abril em assembleia-geral. Destaca-se a produção por aquela barragem, em 2025, de 10.921 GigaWatts-hora (GWh) de eletricidade, um forte recuo (-30%) face a 2024, mas garantindo "a segurança energética do país e da região, mesmo em ambiente de crise hidrológica".

"[Um] contexto marcado por uma das secas mais severas das últimas décadas na bacia do Zambeze, que condicionou os níveis de armazenamento da albufeira e, consequentemente, o plano de produção energética", justifica a empresa.

Mesmo neste cenário, acrescenta, a HCB "assegurou o cumprimento dos seus compromissos comerciais, tanto no mercado nacional como na região da África austral", mantendo o fornecimento de energia à Eletricidade de Moçambique (EDM), à Electricity Supply Commission da África do Sul (Eskom), à Zimbabwe Electricity Supply Authority (ZESA) e aos mercados da Southern Africa Power Pool (SAPP).

Desta forma, foi garantida "a segurança energética do país e da região num contexto de restrições hidrológicas".

A HCB é uma sociedade anónima de direito privado, detida em 85% pela estatal Companhia Elétrica do Zambeze e em 7,5% pela portuguesa Redes Energéticas Nacionais (REN). A empresa possui 3,5% de ações próprias, enquanto os restantes 4% estão nas mãos de cidadãos, empresas e instituições moçambicanas.

A albufeira de Cahora Bassa é a quarta maior de África, com uma extensão máxima de 270 quilómetros em comprimento e 30 quilómetros entre margens, ocupando 2.700 quilómetros quadrados e uma profundidade média de 26 metros.

Conta com quase 800 trabalhadores e é uma das maiores produtoras de eletricidade na região austral africana, abastecendo os países vizinhos.

Em 2025, acrescenta a informação divulgada hoje, a HCB alcançou receitas na ordem de 344 milhões de dólares (293,2 milhões de euros) e um resultado líquido de 112 milhões de dólares (95,5 milhões de euros), "o que reflete uma gestão prudente dos recursos hídricos e financeiros".

"No mesmo ano de 2025, a empresa contribuiu com cerca de 300 milhões de dólares norte-americanos [255,7 milhões de euros] para o Estado moçambicano, por meio de impostos, taxas e dividendos, reforçando o seu papel como ativo estratégico para a economia nacional e para a estabilidade energética do país", disse o presidente do conselho de administração da HCB, Tomás Matola, citado na informação.

"A exportação de energia" pela HCB, acrescentou, "continuou a desempenhar um papel relevante na geração de divisas, contribuindo para a robustez da balança de pagamentos do país".

Antes, em 2024, a HCB tinha registado lucros de 14,1 mil milhões de meticais (195,7 milhões de euros), que foi então um crescimento de quase 8,5% face a 2023, "sendo o maior da história" da empresa e o "corolário combinado" da produção total gerada no ano passado, de 15.753,52 GWh, e do ajustamento da tarifa de venda de energia ao estrangeiro", foi anunciado na altura.

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