Empresas Benfica considera OPA de Berardo “inoportuna”

Benfica considera OPA de Berardo “inoportuna”

O Conselho de Administração da Benfica SAD já tomou uma posição oficial sobre a oferta pública de aquisição lançada pela Metalgest, de Joe Berardo. A SAD encarnada considera a oferta “inoportuna”.
Nuno Carregueiro 10 de julho de 2007 às 11:12

O Conselho de Administração da Benfica SAD já tomou uma posição oficial sobre a oferta pública de aquisição lançada pela Metalgest, de Joe Berardo. A SAD encarnada considera a oferta "inoportuna" devido ao preço e à falta de um plano estratégico para a empresa.

Depois da Metalgest ter pedido na semana passada o registo da OPA sobre o Benfica, o Conselho de Administração da Benfica SAD tinha oito dias para emitir um parecer sobre a oferta, prazo que a sociedade não chegou a utilizar na totalidade.

"Considera a Benfica SAD que a oferta, nos moldes em que lhe foi apresentada, não é oportuna, dado que não reúne as condições adequadas à aceitação da mesma por parte dos seus destinatários", refere a companhia liderada por Filipe Vieira, que, contudo, não considera a oferta hostil.

No relatório hoje publicado, a Benfica SAD adianta que considera a OPA "inoportuna", justificando a sua posição em dois pontos.

Primeiro, porque menos de dois meses após a admissão à negociação das acções da Benfica SAD à Euronext Lisbon", estas apresentaram uma contrapartida "de baixo valor".

O Benfica nota que a oferta de 3,50 euros é inferior em mais de 11% à cotação média ponderada das acções desde a estreia em bolsa até ao dia 14 de Junho, que é de 3,94 euros. Caso a OPA fosse obrigatória, este seria o preço mínimo que Berardo teria que oferecer.

O Benfica refere também que após o anúncio da OPA, as acções da Benfica SAD [SLBEN] têm cotado acima do valor da oferta, "reflectindo a percepção dos investidores e do mercado de que o valor intrínseco das acções deverá ser superior a 3,50".

O próprio Berardo tem afirmado que se fosse accionista da Benfica SAD não vendia as suas acções, uma vez que estas transaccionam na bolsa a um preço superior aos 3,50 euros oferecidos na OPA.

O Benfica nota ainda que "o valor nominal unitário das acções da Benfica SAD é de 5 euros, pelo que a contrapartida oferecida na Oferta representa um desconto de 30% relativamente a este valor".

Falta plano estratégico

Uma das outras justificações para considerar as OPA inoportuna, reside no facto de Berardo, no projecto do prospecto da oferta, não apresentar um plano estratégico para a Benfica SAD, "que lhe permita emitir um parecer fundamentado sobre os objectivos e condições da oferta".

Nos projectos de prospecto e de anúncio de lançamento da Oferta recebidos pela Benfica SAD em 5 de Julho de 2007, a Oferente não apresenta um plano estratégico consistente, designadamente com os objectivos da aquisição divulgados na adenda ao anúncio preliminar da Oferta e reafirmados no projecto de prospecto, afirmando-se nestes documentos que "a Oferente visa com a Oferta a aquisição de uma participação qualificada que permita uma influência na gestão" e "?a oferente considera que há espaço para que essa influência na gestão conduza a uma melhoria na mesma".

O Conselho de Administração liderado por Filipe Vieira adianta que Berardo limita-se limita-se a "enunciar, exemplificativamente, a constituição de um fundo de jogadores" (solução financeira configurável de múltiplas formas e que só pode ser valorada no contexto de um plano estratégico global e/ou em face de uma proposta concreta) e uma aposta mais forte na escola de futebol" (expressão que, pela sua formulação genérica, não permite descortinar quais os objectivos concretos e formas de os atingir, que se possam inserir numa estratégia de melhoria da gestão), também não explicitando sobre o tempo e o modo de execução dessas eventuais soluções de gestão".

"Face à ausência de apresentação de um plano estratégico, designadamente no projecto de prospecto apresentado pela Oferente, não pode o Conselho de Administração da Benfica SAD emitir, sobre esta matéria, qualquer parecer autónomo e fundamentado", conclui a SAD encarnada.

As acções da SAD do Benfica estão em queda acentuada, desvalorizando 7,86% para 3,87 euros.




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