BES supera BCP com lucros de 366,8 milhões de euros no primeiro semestre
O Banco Espírito Santo anunciou hoje que os resultados líquidos do primeiro semestre totalizaram 366,8 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, um valor que representa um crescimento de 82,8% face ao registado no mesmo período do ano passado e que
O Banco Espírito Santo anunciou hoje que os resultados líquidos do primeiro semestre totalizaram 366,8 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, um valor que representa um crescimento de 82,8% face ao registado no mesmo período do ano passado e que se situa acima das expectativas dos analistas e do registado pelo BCP no mesmo período.
Analistas contactados pelo Jornal de Negócios antecipavam um crescimento de 41% nos lucros, para 287 milhões de euros.
O BCP obteve lucros de 307 milhões de euros do primeiro semestre, um valor inferior ao do BES. Este terá sido o primeiro semestre em que o BES conseguiu atingir lucros semestrais superiores aos do maior banco privado português, que está actualmente mergulhado numa crise, que opõe os gestores do banco.
Os lucros do BES foram impulsionados por operações não recorrentes, mas mesmo excluindo este efeito, os lucros cresceram 64% para 329 milhões de euros, um valor que continua a superar largamente o esperado pelos analistas e o registado pelo BCP.
A influenciar o crescimento dos lucros esteve um ganho de 62,8 milhões de euros com as acções do Bradesco, enquanto pela negativa, o BES constituiu uma provisão de 25 milhões de euros para "outros riscos e encargos, cujas naturezas são não recorrentes".
Esta provisão é explicada "para acautelar contingências relacionadas com a actividade corrente do Grupo".
Aos lucros de 366,8 milhões de euros corresponde um ROE de 20,5% (acima dos 17,6% do primeiro semestre de 2006), um sinal de que o banco beneficiou com o impasse que a OPA sobre o BPI gerou nos seus principais rivais.
Quota de mercado de 20%
A confirmar este cenário, o BES diz que deverá ter terminado o primeiro semestre com uma quota de mercado média de 20%, antecipando assim uma meta que o banco só antevia atingir mais à frente.
"A forte dinâmica comercial reflectiu-se no crescimento de 17% do crédito a clientes, incluindo a componente securitizada, e de 18% nos recursos totais de clientes", refere o comunicado do BES, salientando também que a impulsiona rós resultados estiveram as actividades internacionais, onde cresceu 52,8% no crédito e 26,6% nos recursos totais de clientes.
O produto bancário do BES subiu 15,5% para 770,1 milhões de euros, com o BES a salientar o aumento de 17% nos resultados financeiros e de 13,3% nas comissões.
Os custos operacionais aumentaram 4,4% para 449,8 milhões de euros, uma subida que o banco justifica com o crescimento da actividade internacional. Ainda assim, o "cost to income", que mede a relação entre custos e receitas, desceu para 42,2%, contra os 53,8% registados em 2006.
No final do semestre o BES tinha já um ganho potencial de 797 milhões de euros na sua carteira de participações estratégicas, acima dos 642 milhões de euros verificados no final de 2006.
Grande parte deste bolo é da responsabilidade da participação no Bradesco, que em Junho estava a gerar um ganho potencial de 614,3 milhões de euros, acima dos 352,6 milhões de euros registados em Junho de 2006.
Na EDP o BES regista uma mais-valia potencial de 74,5 milhões e na PT de 84,3 milhões.
O rácio que mede a qualidade do capital, o Tier I, manteve-se nos 8%.
As acções do BES fecharam inalteradas nos 17,30 euros.