BPI: Pingo Doce só vale 4% da Jerónimo Martins, mas promoções de 50% "não têm racional"
Analistas destacam que a Sonae é a mais penalizada com a guerra de preços no retalho em Portugal, já que o Continente tem um peso na empresa muito mais elevado do que o Pingo Doce na Jerónimo Martins.
O BPI, no Iberian Daily de hoje, diz que há ainda várias questões em aberto, nomeadamente saber a “magnitude das próximas promoções, se voltarão a ser de 50%” e, por outro lado, como a “concorrência vai reagir”.
Para os analistas José Rito e Bruno Bessa, novos descontos de 50% terão um efeito de diluição nas margens, “pelo que não será sustentável continuarem”. Ainda assim, o BPI espera que a Jerónimo Martins continue a apostar em mais promoções, “provavelmente nos finais de mês, para atrair as compras mensais de mercearia”.
Ainda assim, o BPI assinala que “do ponto de vista estratégico, não conseguimos ver o racional desta campanha de descontos de 50%, dado que não é recorrente e não altera a percepção de preços” que os clientes têm dos seus supermercados. O banco preferia antes que a Jerónimo Martins se focasse na estratégia de “preços baixos todos os dias, que provou ter sucesso na última década, eventualmente com uma acção de marketing mais agressiva”.
O BPI considera ainda este novo posicionamento do Pingo Doce resulte numa postura mais agressiva por parte da concorrência, pelo que o “resultado final poderá ser negativo para todos”.
Neste âmbito, o banco lembra que na avaliação que faz à Jerónimo Martins, a posição de 51% detida pela empresa no Pingo Doce tem um peso de apenas 4% no total do grupo. Já o retalho alimentar representa 57% das receitas consolidadas da Sonae e também uma importante fatia da avaliação da empresa.
Também o BESI avalia o Pingo Doce em apenas 5% do valor da Jerónimo Martins, concluindo por isso que o impacto negativo da provável “guerra de preços” será sentido de forma mais forte na Sonae.
“Acreditamos que a gestão da Jerónimo Martins está focada em ganhar quota de mercado, independentemente do impacto nas margens, suportada pelo facto de as operações domésticas terem um impacto diminuto (5% da avaliação dos activos) e um balanço saudável – ao contrário da Sonae, onde o retalho alimentar representa cerca de 60% da nossa avaliação e o grupo tem uma dívida que representa 4 vezes o EBITDA”, refere o BESI.
Nota: A notícia não dispensa a consulta da nota de “research” emitida pela casa de investimento, que poderá ser pedida junto da mesma. O Negócios alerta para a possibilidade de existirem conflitos de interesse nalguns bancos de investimento em relação à cotada analisada, como participações no seu capital. Para tomar decisões de investimento deverá consultar a nota de “research” na íntegra e informar-se junto do seu intermediário financeiro.