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Carlos Moreira da Silva volta a presidir à La Seda

Accionista BA PET vai ter de negociar agora com o fundo Anchorage, que viu esta quarta-feira ser chumbada a sua proposta de recapitalização da LSB.

Isabel Aveiro ia@negocios.pt 26 de Junho de 2013 às 23:37
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Pouco mais de dois meses passados desde que se demitiu das funções de presidente e presidente executivo da La Seda de Barcelona (LSB), Carlos Moreira da Silva recebeu hoje mandato para voltar a presidir à petroquímica catalã.

 

Numa assembleia-geral de accionista onde esteve presente, ou foi representado, o equivalente a 50,63% do capital da LSB, a nomeação do actual presidente da BA Vidro e da BA PET (maior accionista da LSB com 20% do capital da catalã), como administrador, recebeu 81,59% dos votos.

 

Após a AG desta quarta-feira, que se demorou quatro horas, em Barcelona, o conselho de administração decidiu “nomear como presidente” Carlos Moreira da Silva, comunicou já durante a tarde a LSB ao mercado.

 

Outro nome, o de Jorge Tavares Ferreira, igualmente proposto pelo grupo de accionista da portuguesa BA Vidro (e liderados por Moreira da Silva) foi igualmente aprovado, pela mesma percentagem de votos.

 

Quem não teve igual destino foi José Luís Morlanes, que desde Abril assegurava a liderança da gestão da LSB e que propôs a 17 de Junho a protecção da petroquímica contra credores no tribunal de comércio de Barcelona. O fim das suas funções na administração da LSB recebeu aprovação de 81,8% dos votos presentes.

 

O conselho de administração da LSB passa agora a deter cinco elementos, dois propostos pelo accionista BA PET e outros três independentes.

 

Carlos Moreira da Silva entrou como independente na administração da LSB no final de 2009, na altura cooptado pelo accionista CGD, instituição financeira pública que actualmente é o segundo maior accionista da La Seda, com 14,7% do capital.

 

O gestor, antigo presidente da Sonae Indústria, foi eleito CEO e presidente da LSB em Outubro de 2010, funções que assumiu até 12 de Abril deste ano. Nessa data “bateu” com a porta, em rota de colisão com o principal credor da LSB, o fundo Anchorage, e com a restante administração.

 

Plano aprovado, negociação à vista  

 

Com um mandato aprovado por 92,3% dos votos, o conselho de administração deu esta quarta-feira plenos poderes a Moreira da Silva para encontrar forma de recapitalizar uma empresa cuja incapacidade de pagar 235 milhões de euros (de uma dívida total à banca de mais de 600 milhões de euros) levou a solicitar à justiça abrigo contra eventuais pedidos de insolvência por credores.

 

É verdade que num acontecimento imprevisto, a Anchorage conseguiu ontem, a poucas horas da AG, obter a aprovação de “75,04% do valor da dívida sindicada” da LSB para o seu plano de financiamento, ao qual a BA PET se opõe.

 

Mas isso não terá chegado para os accionistas da LSB, que hoje rejeitaram todas as outras propostas de recapitalização para a catalã, sem ser a da BA PET. Nomeadamente a redução de capital da LSB em 27 milhões, para 9,06 milhões de euros (63,7% de votos a favor); um primeiro aumento de capital em 28,7 milhões de euros por emissão de 114.850.991 novas acções (aprovado com 67,12% dos votos e com 28,1% de abstenções); e novo aumento de capital em 12,5 milhões de euros, com a emissão de mais 50.373.242 títulos (aprovado com 63,07% dos votos e com 28,14% de abstenções).  

 

O facto de ver o plano de recapitalização aprovado e voltar a presidir à LSB não é sinónimo de descanso para os maiores accionistas da LSB nem para Moreira da Silva. É que o fundo Anchorage detém agora mais de 40% da dívida da LSB – depois do BCP ter acordado vender-lhe os 10% de dívida (da tranche de 235 milhões de euros em incumprimento) que detinha da catalã desde a última operação de repaitalização por conversão de dívida em crédito.

 

A companhia catalã vai ter de empreender rapidamente um plano estratégico de redimensionamento industrial. E, neste, a participação que a LSB detém na Artlant, fábrica de 371 milhões de euros que construiu em Sines, poderá ser novamente reduzida dos actuais 41%, ou mesmo cessada.

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