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Consórcio brasileiro compra Chiquita. Negócio avaliado em 1,3 mil milhões de dólares

O consórcio brasileiro Cutrale e Safra chegou a acordo para a compra da norte-americana Chiquita. Os brasileiros vão pagar 14,5 dólares por acção, o que avalia a empresa norte-americana em torno dos 682 milhões de dólares.

Bloomberg
Ana Laranjeiro alaranjeiro@negocios.pt 27 de Outubro de 2014 às 14:35
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A luta durou alguns meses, mas chegou ao fim esta segunda-feira, 27 de Outubro. O consórcio brasileiro Cutrale e Safra chegou a acordo para a compra da norte-americana Chiquita. O negócio está avaliada em 1,3 mil milhões de dólares – em torno dos mil milhões de euros – de acordo com a imprensa internacional.

 

Segundo o jornal brasileiro Folha de São Paulo, a empresa brasileira de sumos laranja Cutrale e o banco de investimento Safra vão pagar 14,5 dólares por cada acção, ou seja, a última oferta do consórcio sul-americano. Desta forma, a empresa norte-americana fica avaliada em torno dos 682 milhões de dólares (mais de 538 milhões de euros). A Chiquita vai ser assim detida pela Cutrale-Safra e, de acordo com a Reuters que cita um comunicado, a empresa vai continuar em Nova Jersey após a finalização do negócio. O consórcio brasileiro, escreve a mesma fonte, vai assumir a dívida da empresa e o banco controlado pela Safra vai alargar o programa de recompra de obrigações que vencem em 2021.

 

"Para assegurar que a Chiquita tem a plataforma principal e mais sustentável do sector, a Chiquita vai ter acesso à experiência substancial do [consórcio] Cutrale- Safra em todos os aspectos da cadeia de valor da fruta e dos sumos, bem como, a extensa experiência financeira", revela ainda o comunicado citada pela agência de informação.

 

O presidente da Chiquita, Edward F. Lonergan, em comunicado, salienta esta segunda-feira que a empresa "aguarda por trabalhar com a Cutrale-Safra para assegurar uma transição suave e completar" a operação o mais rápido possível. A operação está dependente de questões regulatórias e deverá estar concluída no final deste ano ou no início de 2015.

 

Reviravolta na última sexta-feira

 

As notícias da última sexta-feira, 24 de Outubro, sustentavam que a Chiquita Brands International tinha rejeitado a proposta de compra das duas empresas brasileiras. A norte-americana tinha planos para adquirir a empresa irlandesa de frutas Fyffes, por um valor superior à oferta brasileira.

 

Nesse mesmo dia, o jornal brasileiro o Globo, citando a Reuters, referia que o conselho de administração da Chiquita estava confiante na fusão com a empresa irlandesa. Estava agendada para essa sexta-feira uma assembleia de accionistas da Chiquita para votarem o negócio com a irlandesa. A resposta negativa chegou nessa mesma sexta-feira.

 

Os accionistas da Chiquita recusaram adquirir a empresa irlandesa Fyffes. E logo nesse dia, as negociações com os brasileiros da Cutrale-Safra começaram. A Bloomberg escrevia na sexta-feira que os norte-americanos iam sentar-se à mesa das negociações depois de ter rejeitado três vezes as propostas de aquisição dos sul-americanos.

 

"Dado os resultados de hoje [sexta-feira], estamos determinados a concluir o acordo com a Fyffes" e a começar conversações com a "Cutrale-Safra em relação à sua oferta revista", afirmou o Edward F. Lonergan, CEO da Chiquita, citado pela Bloomberg.

 

Negócio das bananas agitado desde Agosto

 

A 11 de Agosto, a Chiquita foi alvo de uma oferta pública de aquisição (OPA). A norte-americana, já naquela altura, estava a tentar comprar a irlandesa Fyffes. A Cutrale e o Safra Group lançaram uma OPA hostil sobre a Chiquita, oferecendo 13 dólares por acção. Alguns dias depois, a 15 de Agosto, a norte-americana recusou a oferta do consórcio brasileiro - no valor de 611 milhões de dólares - por considerar o valor "inadequado".

 

Mas as notícias sobre este negócio não ficaram por aqui. A 27 de Agosto a administração da Chiquita aconselhou os seus accionistas a darem luz verde à fusão com a Fyffes. A empresa norte-americana defendia então que a fusão com a empresa irlandesa é a melhor alternativa para os accionistas da Chiquita.

 

Um novo episódio surgiu a 15 de Outubro quando a Cutrale e a Safra aumentaram o valor da OPA. O montante da proposta subiu 7,7% para 658 milhões de dólares, cerca de 518,5 milhões de euros. 

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