Greenvolt regressa aos lucros com 5,3 milhões. Receitas disparam 121%
A empresa liderada por João Manso Neto aponta a execução da rotação de ativos como principal motor dos resultados, levando o EBITDA a máximos históricos acima de 200 milhões. Para 2026, prevê intensificar a rotação de ativos, com mais de 1 GW em pipeline.
A Greenvolt regressou aos lucros em 2025, registando um resultado líquido de 5,3 milhões de euros, depois de prejuízos de 114,9 milhões de euros no ano anterior, num exercício marcado por forte crescimento das receitas e recuperação do EBITDA, impulsionados pela execução da estratégia de rotação de ativos.
As receitas mais do que duplicaram para 777 milhões de euros em 2025, face aos 351,3 milhões de euros reportados no ano anterior, enquanto os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) atingiram um valor recorde de 207,8 milhões de euros, revertendo de um valor negativo de 14 milhões de euros registado em 2024.
Rotação de ativos puxa pelos resultados
A melhoria do desempenho ficou sobretudo a dever-se ao segmento de "utility-scale", onde a Greenvolt cumpriu a meta de rotação de ativos, com a venda de cerca de 1 gigawatt (GW) em mercados como Polónia, Espanha e Roménia.
"Concluímos a venda de cerca de 1 GW de ativos, o que foi determinante para mais do que duplicar as receitas, atingir um nível recorde de EBITDA e retomar resultados líquidos positivos”, afirmou o CEO, João Manso Neto, em comunicado.
Neste segmento, os rendimentos operacionais atingiram 441,3 milhões de euros — um aumento de 4,7 vezes — e o EBITDA subiu para 174,5 milhões, recuperando de valores negativos no ano anterior. No total, o pipeline de “utility-scale” ascende a 12,8 GW, dos quais 5,1 GW já estão em fase “ready-to-build” ou vendidos.
Biomassa estabiliza, geração distribuída acelera
O segmento de biomassa manteve um contributo importante, com as receitas a crescerem 30,5% para 198,9 milhões de euros e o EBITDA a ganhar 77% para 50,2 milhões de euros. O desempenho foi alcançado apesar da paragem não programada da unidade de Tilbury e de uma intervenção prolongada na central da Figueira da Foz I, impactos parcialmente compensados pela contribuição da central de Kent.
Já a geração distribuída continuou em forte expansão, com receitas a crescerem 54% para 171,3 milhões de euros. O "backlog" aumentou 66% para 684 megawatt-pico (MWp), sustentando a expectativa de melhoria da rentabilidade.
“Os resultados de 2025 reforçam que o nosso modelo tripartido é determinante para um crescimento sustentável a longo prazo”, sublinhou o CEO, destacando a diversificação tecnológica como fator de resiliência.
Investimento elevado e foco na execução em 2026
A empresa investiu cerca de 800 milhões de euros em 2025 e terminou o ano com uma posição de caixa de 204,5 milhões, com 68% da dívida a taxa fixa.
Para 2026, o grupo prevê intensificar a rotação de ativos, com mais de 1 GW previsto, aumentar o pipeline “ready-to-build” até 6,3 GW e alcançar EBITDA positivo na geração distribuída.
"Em 2026, estimamos intensificar os vários processos de rotação de ativos, aumentar o pipeline 'ready-to-build' até 6,3 GW, continuar a melhorar o desempenho da Biomassa e consolidar e expandir o segmento de geração distribuída", afirmou João Manso Neto.
O foco mantém-se no crescimento orgânico e na maximização do portefólio atual, num contexto de mercado mais seletivo, com aposta em projetos híbridos e armazenamento, áreas consideradas críticas para sustentar a rentabilidade futura.