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Ex-responsável da Refer rejeita que empresa tenha andado a "apostar nos mercados"

O ex-vice-presidente da Refer Alfredo Vicente Pereira rejeitou hoje que a empresa tenha andado a "apostar nos mercados" e garantiu que foi cuidadosa e criteriosa a gestão da carteira de 'swap' da empresa pública.

15 de Outubro de 2013 às 21:13

"Sempre pautei [a minha gestão pública] por critérios de rigor e não aceito a expressão 'aposta'. Nunca fiz aposta nenhuma, fiz uma gestão cuidadosa para proteger o interesse público", disse esta terça-feira no Parlamento Alfredo Vicente Pereira, que desempenhou funções como vice-presidente da REFER entre Outubro de 2005 e Junho de 2010.

O responsável respondia, na comissão parlamentar de inquérito aos contratos 'swap', às questões dos deputados da oposição parlamentar (PS, PCP e Bloco de Esquerda) sobre o facto de a carteira de derivados da gestora ferroviária ter tido uma evolução diferente das outras empresas e de alguns 'swaps' preverem ganhos com a descida das taxas de juro, quando há uns anos as empresas se protegiam contra a subida das taxas, pois era o expectável.

"Tenho dificuldade em perceber como uma empresa que se protege contra a subida da taxa de juro, ganhe dinheiro quando a taxa desce. Parece indiciar que o objectivo de contratar instrumentos era diferente na Refer face às demais empresas", disse João Galamba, do Partido Socialista.

Também Mariana Mortágua, do Bloco de Esquerda, afirmou que verificou no relatório e contas da Refer de 2007 que uma subida das taxas de juro não só provocaria perdas, pela via da subida dos encargos dos empréstimos como pelos 'swaps', quando estes deviam compensar essas perdas na eventualidade de os juros subirem.

"Pode haver muitas justificações [para alguns 'swap' que a Refer fez], mas não é a de protecção de taxa de juro, é o uso de derivados para ganhos financeiros. Quando apenas se previa o aumento da taxa de juro, a Refer estava a apostar contra o mercado", afirmou a deputada bloquista.

Bruno Dias, do PCP, alinhou pela mesma ideia e considerou que parece ter havido uma "gestão de risco em contraciclo".

Hoje à tarde também se realizou outra audição sobre os 'swaps' da Refer com Alberto Diogo, ex-administrador da empresa, e Maria do Carmo Ferreira, que substituiu a actual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, como directora financeira da Refer.

Questionada sobre o mesmo assunto, Maria do Carmo Ferreira disse que a gestão da Refer optou por "realizar operações de cobertura pura de taxa de juro", para eliminar a incerteza futura da evolução destas taxas, mas também contratos 'swap' que "visavam a optimização de encargos financeiros".

"Sempre limitámos fortemente os riscos que estávamos a assumir, calculámos sempre os piores cenários para cada 'swap' que contratamos e nunca assumimos riscos exagerados", afirmou, por seu lado, Alberto Diogo.

Segundo a informação enviada à comissão parlamentar de inquérito, a que a Lusa teve acesso, o conjunto dos 'swaps' contratados pela Refer entre 2003 e 2013 resultam num ganho líquido para a gestora das infra-estruturas ferroviárias de 31,1 milhões de euros, à data de Junho de 2013.

A Refer fechou em Junho dois 'swap' que tinha contratualizado com o banco JP Morgan, um cancelamento que custou à empresa 21 milhões de euros.

Os três responsáveis da Refer que hoje estiveram no Parlamento foram unânimes em dizer que a empresa teve necessidade de se financiar em montantes elevados nos mercados internacionais para gerir a elevada carteira de dívida e as necessidades de obtenção de mais dívida para fazer face às funções que o Estado lhe atribuía, sem fazer transferências correspondentes através do Orçamento do Estado.

Disseram ainda que os bancos nunca obrigaram a empresa à contratação de 'swaps' para obter financiamento e que nunca fizeram qualquer contrato "sem analisar mais que uma proposta".

Sobre a passagem de Maria Luís Albuquerque pela empresa, que foi directora do departamento de gestão financeira da REFER entre 2001 e 2007, o ex-vice-presidente deixou palavras elogiosas para seu o trabalho.

"Tive a felicidade de ter uma direcção financeira com muita competência e que trabalhou muito e bem", afirmou.

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