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Indústria cinematográfica de Hollywood rejeita eventual fusão entre Fox e Time Warner

Guionistas e agentes estão preocupados com o impacto de uma eventual fusão entre a Fox e a Time Warner. Para já, não há nova proposta em cima da mesa. Mas Murdoch deve voltar à carga.

Matthew Staver/Bloomberg
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 23 de Julho de 2014 às 17:34
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Hollywood ficou em estado de alerta com a recente notícia: a proposta de 73 mil milhões de dólares que a 21st Century fez à Time Warner. A primeira oferta foi recusada, mas acredita-se que Rupert Murdoch possa voltar à carga.

 

O eventual acordo combinaria dois dos maiores estúdios cinematográficos de Hollywood: o 20th Century Fox e o Warner Brothers. A empresa resultante da fusão seria responsável por um terço da bilheteira nos Estados Unidos da América, esclarece o Financial Times.

 

Apesar disso, o plano deverá passar por manter a independência dos dois estúdios, rivais há longos anos. "A proposta destina-se a preservar e proteger as identidades criativas de cada uma das empresas", explicou à publicação fonte ligada à 21st Century Fox.

 

A comunidade criativa mostra-se "firmemente contra a ideia", seja qual for o modelo a seguir. "Achamos que é um desastre para o talento em Hollywood e uma má política social", defendeu David Young, director executivo do Writers Guild of America West, a entidade que representa os guionistas do país.

 

Também os agentes demonstram a sua consternação. "Vamos ter de ser mais criativos", defende um agente consultado pela publicação, quanto aos projectos e modelos de financiamento para os filmes.

 

Além disso, alerta o Financial Times, os dois estúdios apresentam-se como locais bastante diferentes para trabalhar ao nível da sua cultura organizacional. Cada um apresenta relacionamentos duradouros com os seus principais talentos (realizadores, por exemplo), que poderiam ser afectados com uma eventual fusão entre Fox e Time Warner.

 

Ambos estão entre as principais empresas do sector a operar em Hollywood, a par dos estúdios da Walt Disney, Sony Pictures, Paramount e Universal.

 

Quando foi tornada pública a intenção da Fox, foi divulgado o valor de poupança esperado com a junção: mil milhões de dólares. Para além do cinema, o negócio uniria os dois maiores fornecedores de programação televisiva nos Estados Unidos da América.

 

"Na nossa opinião, será uma violação da leis anticoncorrenciais", defende Young, alegando que a empresa combinada representaria 40% das séries televisivas exibidas em território americano.

 

A Writers Guild of America West já contratou peritos legais para representá-la junto das autoridades da concorrência no país. "Esta é uma fusão que teremos de parar", reforça o seu director executivo.

 

Tendo em conta estas preocupações anticoncorrenciais, a 21st Century Fox já tinha revelado a sua intenção de vender o canal noticioso CNN (pertencente à Time Warner) em caso de um acordo bem sucedido. No que diz respeito aos estúdios, não acredita que esteja a violar nenhuma lei, esclarece o Financial Times.

 

Não há quaisquer certezas de que a 21st Century Fox tenha outra proposta manga. Já o currículo de Rupert Murdoch mostra que o magnata dos media não tem hábito de aceitar respostas negativas às suas ofertas.

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