Mau tempo com "grande impacto" no setor automóvel. ACAP preocupada com linhas de produção
Não basta lidar com os estragos que o mau tempo causou agora. O secretário-geral da Associação Automóvel de Portugal antevê mais fenómenos climáticos no futuro e diz que o setor tem de aprender a "reagir rapidamente".
Foram stands, oficinas, fábricas e até a rede de desmantelamento de veículos. Na zona centro do país os danos ao setor automóvel foram "muito significativos" e a ACAP tem estado a trabalhar com os associados para tentar "mitigar aquilo que foi o grande impacto" do mau tempo. Uma das principais preocupações da Associação Automóvel de Portugal é a possível interrupção da produção.
"Temos estado a recorrer a fornecedores alternativos ou ao 'stock' já existente, tentando que não haja um impacto direto nas linhas de produção", explica Helder Pedro, em entrevista ao programa do Negócios no canal NOW.
O secretário-geral da ACAP já tinha dado conta destes estragos na terça-feira, indicando que uma avaliação será feita na próxima semana, e detalhou esta quarta-feira os "estragos muito significativos ao nível de instalações quer industriais, quer comerciais". "Temos muitos concessionários de automóveis naquela zona afetada e temos o 'feedback' desses concessionários em que realmente as instalações foram muito afetadas. Estiveram, aliás, encerrados até há muito pouco tempo, só estão agora, há dois, três dias, a reabrir", descreve.
Na zona de Leiria estão estabelecidos muitos fabricantes de componentes, o que leva Helder Pedro a admitir a possibilidade de escassez, tanto a nível nacional como internacional. Alguns destes fabricantes fornecem a Autoeuropa, por exemplo, mas têm também clientes "em toda a Europa". "Estas fábricas em Portugal são setores fortemente exportadores e também exportam muito, sobretudo para a União Europeia, que é a principal zona de destino, e naturalmente que qualquer interrupção na produção leva também a uma interrupção ao fornecimento desses clientes no estrangeiro", indica.
O secretário-geral da ACAP estima, no entanto, que este não seja um caso isolado, lembrando, a título de exemplo, que há dois anos uma tempestade na Eslovénia afetou uma fábrica de componentes e teve impacto no abastecimento de componentes - chegou mesmo a forçar uma paragem na Autoeuropa.
"Com estas alterações climáticas, temos assistido a vários fenómenos (...) Infelizmente estas alterações estão cada vez mais a causar disrupções e problemas naquilo que são as cadeias de fornecimento, naquilo que são as linhas de produção e temos que nos preparar para, não só ter soluções alternativas, como ter também uma capacidade de reagir mais rapidamente quando isso aconteça", remata.
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