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"Pensões desvalorizam PT em pelo menos 920 milhões"

A Sonaecom refez as contas e defende que o preço que propõe para comprar a Portugal Telecom coloca a companhia entre as mais "caras" da Europa. Nos cálculos, desconta ao valor da empresa o impacto de 920 milhões de euros que, segundo defende, falta contab

Negócios negocios@negocios.pt 05 de Janeiro de 2007 às 11:00
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A Sonaecom refez as contas e defende que o preço que propõe para comprar a Portugal Telecom coloca a companhia entre as mais "caras" da Europa. Nos cálculos, desconta ao valor da empresa o impacto de 920 milhões de euros que, segundo defende, falta contabilizar no fundo de pensões. O que retira 0,81 euros por acção à avaliação da PT.

Segundo o critério dos múltiplos do "cash flow" operacional face ao valor da empresa, referência habitual em Fusões & Aquisições, o preço oferecido de 9,5 euros por acções rivaliza com os operadores, sustenta a Sonae, contrariando a PT.

Este rácio (valor da empresa/EBITDA) tem sido usado pela PT para demonstrar a avareza da Sonae: só oferece o equivalente a 4,5 vezes o "cash flow" da Telecom em 2005, o que é pouco.

Na proposta de prospecto entregue à CMVM, sabe o Jornal de Negócios, a Sonae altera o denominador e o numerador da equação para chegar a um múltiplo bem mais interessante: a Sonae retira ao EBITDA os custos com desafectação de pessoal da PT (perto de 150 milhões de euros) e acrescenta ao valor da empresa o impacto de 920 milhões de euros que, segundo defende, falta contabilizar no fundo de pensões. O resultado é que a sua oferta se torna ligeiramente superior a oito vezes o EBITDA.

 

Chegar ao fundo das pensões

Esta "revisão" da Sonae tem dois aspectos polémicos: por um lado, a PT considera os custos de restruturação ("curtailment") como extraordinários (e o EBITDA é um resultado operacional).

Mas sobretudo, é o alegado défice "escondido", diz a Sonae, do fundo de pensões que a PT não aceita. A empresa de Paulo Azevedo recorreu a um estudo da Pricewaterhousecoopers, que indicará que os pressupostos utilizados pela PT para o cálculo do défice do fundo de pensões são demasiado optimistas e que a adopção de "pressupostos realistas" pela operadora resultariam num aumento do défice de 2,02 mil milhões para 3,34 mil milhões.

Este agravamento de 1,3 mil milhões de euros resulta de três factores: a taxa de desconto utilizada pela PT no cálculo do saldo de responsabilidades futuras; as taxas de crescimento dos custos com cuidados de saúde; e o cálculo da esperança de vida. Ora, no registo da OPA, a Sonae decidiu deixar cair os primeiros dois factores mas manter o terceiro, quantificado em 920 milhões de euros. Detalhando: a PT assume uma esperança de vida, aos 65 anos, até aos 82 anos, quando, diz a Sonae a partir do estudo da Price, se deveria prever "uma esperança de vida masculina, aos 65 anos, de mais 21 anos".

A PT já criticou a utilização deste estudo, insinuando que a Sonae está a extrapolar conclusões de uma mera análise de sensibilidade, o que fonte da Comissão Executiva da Sonaecom desmente. Não é no entanto possível mediar o "conflito", pois o estudo não é conhecido, ao contrário do exigido pela PT: a CMVM respondeu negativamente às pretensões da PT de ver o regulador forçar a Sonaecom a publicar o estudo da Price.

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