Quem quer gerir o Autódromo do Estoril? Estado vai sondar mercado "em breve"
Circuito Estoril vai publicar os termos e condições para a entrega da gestão do autódromo. E aguardar por manifestações de interesse.
A Circuito Estoril anunciou, esta quinta-feira, que vai ser lançado "em breve" um procedimento de consulta ao mercado para a constituição de um direito real de superfície sobre o Autódromo do Estoril.
Num breve comunicado, a Circuito Estoril, detida pela Parpública, de capitais 100% públicos, indica que a iniciativa visa "encontrar modelos alternativos para a otimização da gestão da infraestrutura desportiva" e que "as peças documentais que fixarão os respetivos termos e condições serão atempadamente publicitadas no 'website' da sociedade, ficando a respetiva consulta disponível a qualquer interessado".
Ou seja, na prática, a Circuito Estoril vai dar conta ao mercado dos termos e condições para a entrega da gestão do circuito e aguardar por eventuais manifestações de interesse.
Em entrevista ao Negócios, em dezembro, o presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes, revelou que a autarquia "manifestou a intenção de efetuar um contrato de gestão do direito de superfície do Circuito Estoril por 50 anos – mais 25, ou seja, até 75 anos, num valor de 12,5 milhões de euros a ser pago em rendas mensais durante o período do contrato".
Esse valor - explicou - foi apurado com base "nas avaliações que a Parpública fez do ativo", embora essas apontem para um montante "um bocadinho superior".
"A Parpública tem, neste momento, tudo para poder decidir entregar o direito de superfície e a gestão ao município de Cascais", afirmou, então.
Contactada pelo Negócios, a autarquia diz não ter nada a comentar, neste momento, afirmando que vai "aguardar os termos de referência e a consulta" ao mercado.
A Parpública há muito que quer vender o Autódromo do Estoril e a Câmara Municipal de Cascais há muito que o quer comprar. Em 2015, foi firmado um acordo para a aquisição pela autarquia da Circuito Estoril SA – por 4,9 milhões de euros – à sociedade gestora de participações sociais de capitais exclusivamente públicos, mas foi "chumbado" pelo Tribunal de Contas.
O Estado Português, através da Parpública, passou a controlar a totalidade do capital do Autódromo do Estoril em 2022, com a compra de 49% do capital da sociedade gestora à imobiliária Grão Pará, que o construiu, fundada por Fernanda Pires da Silva, a quem se deve o nome oficial do autódromo.
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