Verba de dois mil milhões para as tempestades "será excedentária"
Gonçalo Regalado afasta críticas sobre atrasos na ajuda às empresas afetadas pelas tempestades no final de janeiro. Diz que os empresários estão "satisfeitos, agradecidos e reconhecidos", estando agora a entrar na “primavera da reconstrução”.
Quase a fazer cinco meses desde que o país foi atingido por um comboio de tempestades que causou prejuízos de mais de 5.300 milhões de euros, subsistem críticas sobre o dinheiro que não chega ao terreno. Gonçalo Regalado rejeita atrasos no apoio às empresas, sublinhando a rapidez da atuação do Banco Português de Fomento que até agora entregou 1.600 milhões de euros. A verba máxima prevista não deverá ser necessária.
Em entrevista ao Negócios e à Antena 1, o CEO do BPF recorda a rapidez com que foi possível dar resposta a “uma tempestade imprevisível”, a Kristin. “Demorámos quatro dias a ter a aprovação do Governo para lançar dois mil milhões de euros de garantias, numa tempestade que custou ao país 5.300 milhões. E demorámos nove dias a fazer os primeiros pagamentos”, diz.
Até ao momento, “recebemos mais de 10 mil candidaturas de empresas. Já aprovámos mais de oito mil. Já estão, nesta altura, mais de 1.600 milhões de euros na conta de mais de oito mil empresas”, acrescenta o responsável pelo banco, acrescentando que “neste momento, estão mais [candidaturas] aprovadas do que contratadas”.
CEO do BPF
“Nós temos 1.600 milhões [contratados], mas estamos preparados para ir aos 2.000 milhões e se for preciso mais cá estaremos. O que nós dissemos aos empresários foi que não faltará dinheiro para a reconstrução”, recorda. “Acredito que o valor dos dois mil milhões de euros apontados será excedentário. Nem chegaremos ao valor completo”, diz.
“Primavera da reconstrução”
“Houve um trabalho absolutamente notável para não se perderem encomendas”, nota Gonçalo Regalado, rejeitando que haja críticas à resposta que foi dada perante este evento extremo imprevisível. “Eu não vi nenhum empresário a criticar nenhum banco comercial. Eu não vi os empresários a criticar o BPF. Eu estou no terreno. Já visitei empresas que já se reconstruíram, que já estão a exportar, que já estão a trabalhar”, conta.
“Houve uma resposta bastante rápida, bastante ágil e muito urgente. E o que é que vejo? No último mês praticamente nem tenho candidaturas, o que é um bom sinal. Significa que estamos a entrar agora na primavera da reconstrução”, acrescenta Regalado.
Mais fundos disponíveis
Regalado diz que não deverá ser necessário utilizar a dotação toda prevista para a resposta às tempestades. “E temos ainda mil milhões adicionais para irmos reconstruir aquilo que é mais difícil e que são obras de maior dimensão”, acrescenta o responsável pelo BPF.
CEO do BPF
Logo em fevereiro, “eu e a equipa do BPF voámos para o Luxemburgo para negociar mais 1.000 milhões de euros que estão agora a ser ultimados e que serão apresentados ao mercado entre julho e setembro”, conta. “Ou seja, o banco tem 3.000 milhões de euros para uma catástrofe que custou ao país 5.300 milhões de euros”.