Eletrointensivos pedem atenção do Governo ao impacto energético do conflito no Médio Oriente

Empresas que são grandes consumidores de eletricidade acompanham situação internacional com “imensa preocupação” e alertam para efeitos nos custos da energia e na competitividade da indústria portuguesa.
Eletrointensivos pedem atenção do Governo ao impacto energético do conflito no Médio Oriente
David Cabral Santos
Patrícia Vicente Rua 15:35

Os grandes consumidores de eletricidade em Portugal pedem ao Governo que acompanhe de perto o impacto energético da escalada doe defendem a adoção de “medidas excecionais” para salvaguardar a competitividade da indústria, num contexto de subida dos preços da energia.

Numa nota enviada ao Negócios, a Associação Portuguesa dos Industriais Grandes Consumidores de Energia Elétrica (APIGCEE) afirma acompanhar a evolução da situação internacional com “imensa preocupação”, sublinhando que o conflito com o Irão poderá ter “impactos significativos adversos na indústria portuguesa”.

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Segundo a associação, que junta empresas como a BA Glass Portugal, Bondalti ou Cimpor, já se verifica uma “subida expressiva no custo do gás natural e do petróleo”, associada à interrupção de trânsitos energéticos no Estreito de Ormuz — uma das principais rotas globais de transporte de energia — e também à redução da produção de gás natural liquefeito (LNG). 

Confiamos que o Governo português está atento ao desenvolver do atual contexto e que saberá adotar eventuais medidas excecionais Associação Portuguesa dos Industriais Grandes Consumidores de Energia Elétrica

Estes fatores poderão ter impactos para além da duração do conflito caso os mercados energéticos mantenham um desequilíbrio entre procura e oferta. A associação alerta ainda que o mercado ibérico de eletricidade poderá ser afetado, tanto na componente de mercado como ao nível das restrições técnicas do sistema, caso seja necessário mobilizar centrais térmicas a gás natural para garantir o equilíbrio entre produção e consumo. 

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Além da pressão nos mercados energéticos, os industriais admitem potenciais impactos nas cadeias logísticas globais, incluindo a retenção de navios da marinha mercante no Golfo ou o eventual alastramento do conflito a rotas críticas de navegação internacional.

Várias operações industriais ainda não recuperaram da destruição causada pela tempestade Kristin, é com imensa preocupação que acompanhamos os desenvolvimentos da situação internacional Associação Portuguesa dos Industriais Grandes Consumidores de Energia Elétrica


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Neste contexto, os industriais sublinham que o “aumento muito significativo e abrupto do preço do gás natural” — e, em grande medida, também da eletricidade — constitui já “uma enorme preocupação” para os associados da APIGCEE. 

A associação recorda ainda que esta pressão sobre os custos energéticos surge num momento particularmente sensível para a indústria, numa altura em que várias operações industriais “ainda não recuperaram completamente da destruição causada pela tempestade Kristin nos seus ativos e cadeias de fornecimento”. 

A APIGCEE afirma confiar que o Governo português acompanha a evolução do contexto internacional e saberá “adotar eventuais medidas excecionais” que garantam “condições mínimas de competitividade para a indústria portuguesa”, lembrando que a indústria eletrointensiva nacional continua a enfrentar preços de eletricidade superiores aos registados em países como Espanha, França ou Alemanha.

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